As barreiras sociais para a inclusão da mulher no mercado de trabalho são seculares e perduram até hoje. Mas a lei que equipara os salários de homens e mulheres, quando ambos ocuparem as mesmas funções - que deve ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff na próxima terça-feira, no Senado, é fundamental para que este paradigma seja quebrado. Segundo relatório do Banco Mundial, há um aumento da produtividade no mercado de trabalho nos países em que há inserção da força de trabalho feminina, chegando a 25%. No entanto, a pesquisa reafirma que, quanto maior a escolaridade, mais aumenta a diferença salarial entre homens e mulheres.
O projeto de lei aprovado por unanimidade na Comissão de Direitos Humanos do Senado prevê multa para a empresa que praticar discriminação às mulheres.
Carolina Santos (nome fictício) diz já ter sofrido indiretamente esse tipo de preconceito. “Eu estava em uma entrevista de emprego, disputando uma vaga de gerência com outros dois rapazes. Quando o primeiro foi chamado, fiquei na sala de espera com o segundo. Ele tentava desviar as conversas para um lado não-profissional e sequer propício para o momento e, quando percebeu que as investidas não adiantariam, disparou em alto e bom som que já sabia que eu seria a escolhida, porque as mulheres, além de valerem menos que os homens, cobravam mais barato. Fiquei indignada com aquele pensamento e, apesar de ter de fato conseguido o emprego, a angústia daquele comentário me perseguiu por muito tempo”, desabafa.
Já para a estudante Carina Menezes, 23, os desafios no mercado são vencer suas próprias limitações. “Sempre tive medo de ser uma profissional limitada, mas, num meio onde os homens predominam, a minha saída foi buscar me aperfeiçoar sempre mais. Esse é o único ponto que me diferencia do meu concorrente, ainda que ele seja homem”, afirma Carina, que cursa Engenharia Elétrica. Para ela, o novo projeto abre mais ainda o espaço da vanguarda feminina. “Acredito que as mulheres poderão, mais do que nunca, seguir qualquer carreira de cabeça erguida”.
De acordo com Roberto Sena, supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a disparidade salarial entre homens e mulheres abrange os mais diversos setores. “Há quase 1,3 milhão de mulheres ocupadas no Pará e, dessas, 48% ganham até um salário mínimo apenas. Em média, as mulheres recebem de 20% a 40% menos que os homens que exercem a mesma função. Em alguns casos, essa diferença pode chegar a 50%, mas a grande maioria está entre 20% e 40%, sendo que fazem o mesmo tipo de trabalho”. (Diário do Pará)
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