A nutricionista Ludmylla Souza Valverde, 27 anos, foi agredida após rejeitar o assédio de dois homens durante o circuito Dodô (Barra-Ondina), no Carnaval de Salvador, na Bahia. O caso de violência aconteceu na noite da última sexta-feira (5) e repercutiu após a irmã dela publicar a história nas redes sociais.
Thaianna contou que ela e a irmã aguardavam na pipoca – área para quem está sem abada fora dos blocos - a passagem do trio de Luiz Caldas, quando dois homens saíram de um dos blocos e começaram a assediar as duas.
Ludmylla pediu para que os foliões se afastassem, mas foi empurrada por um deles. "Eu pedi para ele sair, mas ele se irritou. Disse que eu era ignorante, que não sabia brincar, e me empurrou no meio do povo. Em seguida, eu revidei e empurrei ele também. Depois o colega dele atirou o copo de acrílico e pegou no meu rosto", disse ela ao Correio da Bahia.
Ela levou oito pontos e disse que desmaiou por causa da quantidade de sangue perdida.
A vítima prestou queixa na 14ª Delegacia Territorial, mas a Polícia Civil ainda não tinha informações sobre o autor da agressão. Imagens de câmeras de segurança devem ajudar a identificar os suspeitos.

Desabafo da irmã da nutricionista no Facebook: "Toda dor será transformada em luta". (Foto: reprodução/Facebook)
MACHISMO
Uma pesquisa feita pelo Instituto Data Popular, como contribuição à campanha Carnaval Sem Assédio, do site Catraca Livre, mostrou que a maior parte da visão masculina ainda é machista em relação à participação de mulheres na folia.
De acordo com a sondagem, 61% dos homens abordados afirmaram que uma mulher solteira que vai pular carnaval não pode reclamar de ser cantada; 49% disseram que bloco de carnaval não é lugar para mulher “direita”; e 56% consideram que mulheres que usam aplicativos de relacionamento não querem nada sério.
“O que existe por parte dos homens é uma naturalização do machismo”, disse o presidente do Instituto Data Popular, Renato Meirelles.
Ele lembrou que qualquer tipo de abordagem sem o consentimento da mulher é assédio. E o assédio, além de ser moralmente errado, dependendo do tipo é crime, acrescentou.
A pesquisa foi feita entre os dias 4 e 12 de janeiro, com 3,5 mil brasileiros com idade igual ou superior a 16 anos, em 146 municípios.
(DOL)
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