A medicina promete aumentar nossa expectativa de vida nas próximas décadas. Até lá, podemos fazer nossa parte e viver melhor. Baseado neste estilo de vida, muitas pessoas aderem à alimentação vegetariana buscando o bem-estar. Entre elas, a pedagoga Ana Paula Raiva, que aos 16 anos encarou a opção de excluir qualquer tipo de carne animal e seus derivados. Mas, hoje, aos 35 anos, ela está na sua primeira gravidez e continua levando a mesma filosofia de vida. E aí, existe, de fato, algum riscopara o bebê?
A opção de tornar-se vegetariano ou vegano exige uma série de modificações no cardápio e no cotidiano. Muitas mulheres que abdicaram do consumo das carnes no dia a dia, têm muitas dúvidas durante a gestação. Afinal, faltará algum nutriente importante para o desenvolvimento do bebê? Sobre isso, os especialistas alertam: não haverá complicações, desde que alguns cuidados sejam tomados, principalmente, o acompanhamento médico e nutricional. E a recomendação é válida para todas as futuras mamães.
Com quase 17 anos sem consumir carnes, a pedagoga mineira Ana Paula Raiva mora em Belém há dois anos. Antes, era ovolactovegetariana. Ou seja, consumia, além de vegetais, ovo e leite. Mas, há dois anos, ela tomou uma decisão mais radical. “Hoje sou vegana. Não como nada de origem animal”, esclareceu. Ana Paula, que está grávida de 8 meses, promete levar a filosofia para seu filho. Pensando na saúde do bebê, ela logo nos primeiros meses de gravidez procurou a nutricionista para seguir uma dieta que não afetasse o bebê. Para sua surpresa, profissional descartou a possibilidade dela continuar sem o consumo de proteína animal.
Tendo a filosofia baseada na sua orientação religiosa - ela é da Igreja Adventista do Sétimo Dia - Paula persistiu e procurou outra profissional. “Hoje faço uma dieta balanceada e com acompanhamento. Sem as carnes, faço suplementações e substituições”, pontua. Em seu cardápio, a pedagoga opta por consumir mais fibras e menos gordura saturada e colesterol ruim. Ela cita vantagens: o menu sem carne animal protege as mulheres contra os hormônios e toxinas presentes no peixe, frango, na carne vermelha e nos laticínios.
INDÚSTRIA VEGANA
A gerente industrial Cristina Ferreira garante: com os produtos oferecidos hoje nas prateleiras dos supermercados brasileiros, não há empecilhos para que mulheres passem pela gestação sendo vegetarianas.
Ela ressalta: há várias formas de substituir as proteínas animais e o cálcio com a ajuda de vegetais. Segundo a especialista, 15% das calorias diárias de uma grávida devem ser de fontes proteicas. Entre os alimentos que são ricos em proteínas estão as castanhas, amêndoas e as ervilhas.
Cristina explica ainda que as folhas verdes são fontes naturais de ácido fólico - a vitamina B9, essencial no primeiro trimestre de gravidez, porque reduz em 50% a incidência de má formação do tubo neural do bebê. De acordo com Cristina, a suplementação com cálcio também é essencial, já que as gestantes precisam do dobro da quantidade de uma mulher normal (aproximadamente 1.500 mg/dia) durante o período gestacional.“Todos esses nutrientes podem ser encontrados nas linhas de produtos à base de soja, como salsichas, bife e hambúrgueres enlatados”, afirma Cristina. “As pessoas podem consumir, principalmente as grávidas, pois há excelentes fontes de proteínas e fibras”, garante.

(Roberta Paraense/Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar