Em momentos de ruptura internacional, quando o peso das decisões se mistura ao espetáculo midiático e à lógica do poder global, declarações oficiais costumam revelar tanto quanto ocultam. Em meio a disputas geopolíticas antigas e interesses estratégicos renovados, a crise na Venezuela ganhou novos contornos neste sábado (3), colocando novamente o país no centro das atenções mundiais e reacendendo debates sobre soberania, intervenção e controle de recursos naturais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que ainda está "decidindo o futuro da Venezuela" após a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, durante uma operação conduzida por forças americanas na madrugada deste sábado. Segundo Trump, Maduro e a esposa foram levados para Nova York a bordo de um navio da Marinha dos EUA que estava posicionado no mar do Caribe desde o fim de 2025.
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PETRÓLEO VENEZUELANO NA MIRA
Em entrevista à Fox News, Trump declarou que os Estados Unidos passarão a estar "fortemente envolvidos" com a indústria petrolífera da Venezuela, sem detalhar os moldes dessa atuação. O presidente norte-americano acrescentou que a China continuará recebendo petróleo venezuelano, indicando que os fluxos internacionais de energia não devem ser totalmente interrompidos.
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Questionado sobre a possibilidade de a líder opositora María Corina Machado assumir o poder com apoio americano, Trump evitou uma resposta direta. “Ainda estou decidindo”, afirmou, mencionando também a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, como parte do cenário político em avaliação.
SAÍDA PACÍFICA REJEITADA
Trump disse ainda ter acompanhado a captura de Maduro em tempo real, por meio de transmissões feitas pelos próprios agentes envolvidos na operação em Caracas. Segundo ele, a ofensiva estava planejada para ocorrer dias antes, mas foi adiada devido às condições climáticas. O presidente norte-americano revelou também que conversou com Maduro cerca de uma semana atrás, quando o venezuelano teria tentado negociar uma saída pacífica do poder. "Eles quiseram negociar no final, mas eu não queria", declarou.
De acordo com Trump, Maduro e a esposa foram retirados de Caracas de helicóptero e levados até o navio anfíbio USS Iwo Jima, um dos principais meios de projeção militar da Marinha dos EUA no Caribe, equipado para operações aéreas e de desembarque de tropas.
"AGRESSÃO IMPERIALISTA"
A ofensiva militar ocorreu após meses de especulações sobre um possível ataque americano. Explosões foram registradas em Caracas durante a madrugada, com relatos de falta de energia, movimentação de aeronaves em baixa altitude e colunas de fumaça próximas a instalações militares. Vídeos circularam rapidamente nas redes sociais, ampliando o clima de tensão.
Em resposta, o governo venezuelano classificou a ação como uma "agressão imperialista" e decretou estado de comoção exterior. Em comunicado, Caracas acusou os Estados Unidos de tentarem impor uma mudança de regime para tomar controle de recursos estratégicos, como petróleo e minerais, e convocou países da América Latina e do Caribe a se mobilizarem em solidariedade ao país.
ESCALADA DE TENSÃO
A escalada entre Washington e Caracas vinha se intensificando desde agosto, quando os EUA elevaram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levassem à prisão de Maduro e reforçaram a presença militar no Caribe. Desde então, apreensões de navios petroleiros, sanções e acusações diretas ao presidente venezuelano aprofundaram um confronto que agora entra em sua fase mais crítica.
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