Há guerras que não se travam apenas com armas, mas também com silêncios prolongados, olhares calculados e palavras escolhidas com o peso de quem sabe que qualquer vírgula pode redefinir destinos. Em tempos de conflito prolongado, mesas de negociação se tornam extensões simbólicas do campo de batalha, onde diplomatas substituem soldados e o futuro passa a depender menos da pólvora e mais da política.
Foi nesse clima carregado que delegações da Rússia e da Ucrânia encerraram, nesta terça-feira (17), o primeiro dia de uma nova rodada de negociações de paz em Genebra, na Suíça. Mediadas pelos Estados Unidos, as conversas acontecem às vésperas do quarto aniversário da invasão em larga escala iniciada por Moscou, em fevereiro de 2022, e foram descritas por uma fonte próxima aos russos como "muito tensas".
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"QUESTÕES PRÁTICAS"
Mais cedo, o ministro da Defesa ucraniano, Rustem Umerov, divulgou imagens do encontro, que reuniu representantes dos três países em uma mesa em formato de ferradura. À frente, o enviado especial ligado ao ex-presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e Jared Kushner conduziram as discussões, enquanto as delegações adversárias se encaravam diretamente. Segundo Umerov, o foco esteve em "questões práticas" e em possíveis mecanismos para uma solução negociada.
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O chefe da delegação ucraniana afirmou ainda que os relatórios serão enviados ao presidente Volodymyr Zelensky, enquanto novas reuniões estão previstas. Apesar do esforço diplomático, o ambiente é de ceticismo. Fontes ouvidas pela Associated Press indicam que nenhuma das partes demonstra disposição real para ceder em temas considerados centrais, como o controle de territórios ocupados e as garantias de segurança exigidas por Kiev.
TERRITÓRIO SOB DOMÍNIO RUSSO
Entre os principais entraves está o destino de cerca de 20% do território ucraniano sob domínio ou reivindicação russa, incluindo a Crimeia e áreas estratégicas do leste e sul. Moscou exige que a Ucrânia reconheça a perda de regiões como Donbass e retire tropas de zonas ainda sob seu controle - condição rejeitada pelo governo ucraniano.
Enquanto diplomatas conversavam, a guerra seguia seu curso. Durante a madrugada, forças russas lançaram quase 400 drones e dezenas de mísseis contra diferentes regiões ucranianas, deixando feridos e provocando novos apagões. Em resposta, autoridades de Kiev acusaram Moscou de enfraquecer deliberadamente qualquer possibilidade de acordo.
CONTENDO EXPECTATIVAS
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, tratou de conter expectativas e afirmou que resultados concretos não devem surgir rapidamente. Moscou voltou a designar como negociador principal Vladimir Medinsky, veterano das primeiras tentativas de diálogo em 2022.
Desde o início da invasão, o conflito já deixou centenas de milhares de mortos, milhões de deslocados e consolidou-se como a mais grave guerra em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.
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