Cansados do descaso da prefeitura com a educação no município de Bujaru, nordeste paraense, pais e responsáveis de alunos resolveram acampar dentro da Escola Municipal de Ensino Fundamental São Sebastião, situada no distrito de Guajará-Açu, na zona rural.
De acordo Janaina Ventura, mãe de dois alunos que estudam na escola, a unidade de ensino está completamente sucateada e os alunos sofrem com a falta de material didático, professores, iluminação adequada, merenda escolar, ventiladores, dentre outros problemas que dificultam o aprendizado dos estudantes.
Um vídeo gravado pelos manifestantes dimensiona os problemas.
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Em meio aos manifestos, uma das representantes da comunidade explicou a situação no local reclamando da falta de diálogo do prefeito de Bujaru, Jorge Sató.
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Além dos problemas dentro de sala de aula, ela denuncia que o bebedouro do prédio está quebrado e as descargas dos banheiros não funcionam. Os pais afirmam, ainda, que as áreas externas do prédio também estão tomadas pelo mato, colocando em risco a segurança dos alunos nesta época do ano. "Decidimos interditar a escola em protesto contra o descaso do prefeito Jorge Sató, que abandonou a educação do nosso município. As condições das salas de aula estão precárias, que desestimulam quem estuda na rede municipal de ensino. Em dias chuvosos, as salas de nossa escola são interditadas por conta das goteiras. Só vamos sair da escola quando a prefeitura resolver o problema”, afirmou Janaína.
Ela completa dizendo que os problemas se repetem em diversas escolas de Bujaru há muito tempo, mas agora a situação ficou pior com o período chuvoso.
OPERAÇÃO CONTRA FRAUDES
Em abril de 2018, a Polícia Federal deflagrou em Bujaru a Operação Malacoda para investigar fraudes em licitações e desvios de recursos da merenda escolar, oriundos do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Na ocasião, o prefeito Jorge Sató, a esposa dele, Maria Célia Sato, que é atual secretária de educação, e a filha do casal, Amanda Akemi Sató, que é atual secretária de Finanças, foram alvos das investigações.
O prefeito Jorge Sató também foi denunciado, em fevereiro deste ano, pelo Ministério Público Federal, por exigir de uma empresa contratada para fornecer merenda escolar um percentual de vantagem indevida sobre cada nota fiscal emitida, valendo-se de sua função pública. Sua esposa, Maria Célia Lima Sato, também foi denunciada por receber propina para facilitar processos licitatórios na Secretaria de Educação.
A procuradora Regional da República, Raquel Branquinho, pede cautelarmente ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região o afastamento dos denunciados dos cargos.
Jorge Sato é prefeito de Bujaru desde janeiro de 2017 e, segundo as investigações, estabeleceu um esquema de licitações fraudulentas para cobrar vantagem indevida mediante prévio ajuste do percentual de 10% sobre os pagamentos efetuados pela prefeitura de Bujaru em contratos fraudulentos.
A reportagem tentou contato com os denunciados, mas não foi atendida.
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