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Rápida ocupação de leitos e transmissão de variante justificam medidas rígidas no Pará

Desde ontem, Belém está sob lockdown para tentar diminuir a pressão sobre o sistema de saúde. Nesta segunda-feira, a ocupação de leitos clínicos na capital atingiu 100% e a de UTI, 94,4%.

terça-feira, 16/03/2021, 07:04 - Atualizado em 16/03/2021, 09:12 - Autor: Pryscila Soares, com informações de Luiz Guilherme Ramos


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| Irene Almeida/ Diário do Pará

O aumento do número de casos e mortes e, consequentemente, de ocupação dos leitos, levou o Governo do Estado a decretar lockdown em cinco municípios da região metropolitana, que passaram do bandeiramento vermelho para o preto. A medida entrou em vigor às 21h de ontem (15) e valerá por sete dias.

Belém, Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara do Pará e Benevides somam mais de 98 mil casos confirmados e 3,7 mil mortes. O sistema de saúde está em colapso em Belém e não há mais vagas de leitos de UTI em hospitais da rede particular. Enquanto a medida vigorar, a capacidade do sistema de saúde e o cenário epidemiológico da RMB serão avaliados diariamente pelos órgãos de saúde.

Atuando na linha de frente de combate à Covid, para a infectologista Andrea Beltrão, o Brasil vive hoje o pior momento da pandemia. “Só não está mais porque vários locais que atendiam a Covid-19 continuaram abertos. Nos consultórios e ambulatórios temos mais atendimentos precoces. Temos também mais leitos e o melhor manejo para tratar a doença. Mas essa segunda onda está sendo pior em termos de transmissibilidade e gravidade, não poupando adultos que não têm fator de risco. Eles estão tendo doenças graves sim, mais do que na primeira onda”, afirmou.

Diante desse cenário, a infectologista acredita que o lockdown é a melhor opção para conter o avanço da doença, associado às medidas de segurança sanitárias já estabelecidas desde o início da pandemia, como o distanciamento social, uso de máscara, evitar aglomerações, lavagem constante das mãos e a utilização do álcool em gel. “As medidas anteriores ou outros decretos não foram suficientes para conter a pandemia. Já estávamos observando a umas duas semanas atrás que isso ia ocorrer, tendo em vista que os casos que estão chegando são mais graves e geram um tempo de internação maior. Com isso, os eventos adversos, que prolongam ainda mais o tempo de internação do paciente, acabam aumentando a taxa de ocupação e faltando leitos”, pontuou a médica.

VARIANTE

A infectologista ressaltou que os profissionais vêm observando uma mudança de comportamento da apresentação da doença em alguns pacientes, o que pode estar relacionado à circulação da nova variante do coronavírus. “Não é em todos os pacientes. Mas alguns apresentam uma manifestação precoce, uma alteração tomográfica. Uma evolução mais rápida, um dia está bem, dois dias depois está grave, é intubado e vai para a UTI... provavelmente esses casos que estão evoluindo assim são relacionados com a nova variante”, informou.

Devido à situação, a médica explica que, nesse momento, torna-se necessário o fechamento de alguns setores, principalmente os que levam ao risco de aglomerações, ambientes fechados onde é preciso retirar a máscara para fazer uma alimentação, por exemplo. “O fechamento deles ajuda bastante a conter o avanço da doença. Principalmente porque novas variantes estão circulando e têm um poder de transmissão já comprovado maior do que a variante anterior”, esclareceu.

Para a médica, é de extrema importância manter os protocolos sanitários já estabelecidos pelas autoridades e órgãos de saúde, além de praticar a solidariedade com o próximo. “Se sair, saia de máscara, evite aglomerações, mantenha distanciamento, use álcool em gel, não toque no rosto, boca e nariz sem antes lavar as mãos. Se adoecer, não deixe o medo tomar conta das suas emoções. Procure atendimento. Temos locais para atendimento de casos leves, para atendimento precoce”, disse. “É importante também que, se você estiver bem e puder ajudar quem está necessitando de ajuda financeira, cesta básica, ajude. Tem muita gente que está desempregado ou vai ser demitido por conta do fechamento de locais”, ponderou.

COMÉRCIO

Horas antes do início oficial das novas medidas restritivas de combate ao novo coronavírus, com a implementação do lockdown pelos próximos sete dias, o comércio de rua da capital corria contra o tempo, mas o tempo chuvoso e o receio natural da população, fizeram com que o movimento de ontem fosse mais fraco.

A vendedora Ariana Nunes garante que entra na nova fase sem perspectiva positiva. “Para nós, que dependemos das vendas, do movimento, é prejuízo. E o pior de tudo é temer pelo que pode acontecer na volta. Muitas lojas fecham, demitem. Esse receio tem acometido todos nós que trabalhamos no comércio”, acredita.

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