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PREJUÍZOS

Motoristas precisam trabalhar mais para abastecer veículos

Com o crescente aumento de preços nos postos de combustíveis, quem usa o carro como trabalho tem que aumentar as horas nas ruas ou diminuir gastos para continuar rodando. O DIÁRIO ouviu alguns deles

quinta-feira, 30/09/2021, 07:56 - Atualizado em 30/09/2021, 08:18 - Autor: Pryscila Soares


Moisés trabalha até 12 horas por dia para conseguir cobrir as despesas dos últimos meses
Moisés trabalha até 12 horas por dia para conseguir cobrir as despesas dos últimos meses | Ricardo Amanajás

A Petrobras autorizou um reajuste de quase 9% no preço do litro do diesel nas refinarias. O aumento entrou em vigor em todo o país ontem (29). Somente este ano, a alta acumulada no diesel já chega a 51%. Já os reajustes no preço do litro da gasolina são superiores à inflação. Nos oito primeiros meses deste ano, os aumentos no preço do produto alcançaram cerca de 32% contra uma inflação estimada em torno de 5% para o mesmo período. Manter o veículo abastecido tornou-se um desafio para quem o utiliza, seja para se locomover ou para trabalhar e garantir uma renda.

Com o reajuste no diesel, o preço médio de venda nas refinarias passou de R$ 2,81 para R$ 3,06 por litro, sendo R$ 0,25 a mais por litro. Mas a formação do valor final dos combustíveis nas bombas, para os consumidores, depende de diversos fatores. É por esse motivo que atualmente o litro da gasolina chega a custar no Pará, em média, R$ 6,07. Já o diesel é comercializado, em média, a R$ 5,10, de acordo com pesquisas realizadas pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/Pará).

Em um posto de combustível situado na avenida Visconde de Souza Franco, por exemplo, o litro da gasolina está custando R$ 5,97. Atuando há 3 anos como motorista de aplicativo, Moisés Moraes, 36 anos, desembolsa R$ 80 por dia, trabalhando, em média, de 10h a 12h de domingo a domingo. Casado e pai de duas filhas, o autônomo relatou que precisou adotar uma rotina de trabalho mais intensa e exaustiva na tentativa de cobrir as despesas que elevaram de forma abrupta nos últimos meses.

“Era rodoviário em Belém. Mas a empresa dispensou os antigos funcionários e eu também fui. A única alternativa foi rodar de app até arrumar outro emprego. Pago R$ 1.800 todo mês da parcela do carro e sobram menos de R$ 1.000,00. Graças a Deus tenho casa própria. De quinta a domingo trabalho até 14h, faço um intervalo no almoço. E a partir de 17h vou direto até 7h a 8h do outro dia. Isso porque rodo para vários apps”, comenta.

 

George pesquisa os postos para economizar um pouco para encher o tanque do táxi
George pesquisa os postos para economizar um pouco para encher o tanque do táxi | Ricardo Amanajás
 


Acadêmico de fisioterapia, George Marcelo Silva, 23, começou a atuar como taxista há oito meses para arcar com as despesas. Por mês, a renda obtida com a atividade gira em torno de R$ 3 mil. Para manter o veículo abastecido, ele desembolsa mensalmente R$ 700. “Precisava de uma renda e vim trabalhar com táxi. O veículo é meu. Mas se eu tivesse família, com certeza essa renda não daria para suprir. E acredito que ainda vai permanecer por um bom tempo nesse valor alto. Tenho preferência por combustível de alguns postos, mas como aumentou, já estou indo atrás da mais barata”, diz.

ETANOL

Quando precisa abastecer, o motorista Valdir Sousa, 51 anos, opta pelo etanol, combustível que ele considera mais vantajoso atualmente. “Meu filho roda nesse carro de aplicativo e ele gasta uns R$ 150 por semana, com gasolina. O meu carro mesmo é uma Kombi, R$ 80 dá para rodar três dias. Além de ser econômica, só uso quando vou fazer frete. Mas quando preciso fazer algo rápido pego esse carro do meu filho e abasteço com etanol, consome menos o motor”, disse ele, que pagou R$ 5,57 pelo litro do etanol num posto situado na avenida Senador Lemos, em Belém.

 

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