No dia 31 de dezembro de 1996, Hélio Gueiros subiu ao palanque vestido de forma alinhada. Naquele dia, que ameaçou chover, Gueiros inaugurou a restauração completa da Praça do Carmo. Como quase sempre fazia, fez um discurso de improviso. Dizia estar orgulhoso da obra, mas, lá no fundo, os mais íntimos sabiam: estava insatisfeito por não ter feito o sucessor. Gueiros deixava a Prefeitura de Belém com um bom índice de aprovação popular, mas Ramiro Bentes, o candidato apoiado por ele, afundou fragorosamente nas urnas. Não se sabia ainda, mas a restauração da Praça do Carmo seria a última obra entregue por Gueiros como político eleito.
Era o canto de cisne de um político que, mesmo tendo origens mais antigas no cenário paraense, alçou os maiores voos em 14 anos entre 1982 e 1996. Foi o período em que Gueiros foi senador, governador do Estado e prefeito de Belém. Foi um governador mediano e um prefeito dinâmico, segundo avaliações de alguns especialistas. Deixou obras importantes e que até hoje são vivenciadas pela população.
Gueiros implantou a Antonio Barreto, deu nova vida à Doca de Souza Franco, criou o 192 em Belém, asfaltou a avenida Pedro Miranda, restaurou o Palacete Antônio Lemos e criou a Escola Bosque, para ficar em algumas realizações como prefeito.
“Foi na prefeitura que ele se notabilizou mais. Foi a última fase política dele”, avalia o publicitário Orly Bezerra, 54 anos, proprietário da agência que trabalhou com Gueiros de 1988 a 1996. Mas o contato vem de antes. “Fui diagramador dele quando Gueiros era editor de esportes na Folha do Norte”, lembra Orly.
Hélio da Mota Gueiros foi o primeiro governador paraense dos anos 90. Foi também o herdeiro direto de uma antiga tradição brasileira de políticos de cunho mais popular - ou populista - dependendo do gosto do freguês. Uma linhagem que no Brasil teve Getúlio Vargas, Jânio Quadros e Leonel Brizola como bons representantes e que em âmbito local produziu Magalhães Barata, do PSD. Gueiros sempre foi admirador incondicional de Barata, de quem assimilou o jeito de fazer política, usando e abusando de uma linguagem direta com o povo, sem intermediários.
“Hélio Gueiros não foi apenas um viajante da luta democrática. Com o toque populista da democracia de 1945, fez das escaramuças políticas um canal de humor e ironia que atingia o povo, sem colocar em dúvida suas qualidades de jornalista e de intelectual”, avalia o cientista político Roberto Corrêa.
Leia a reportagem completa no Diário do Pará
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