A data é histórica e marca a luta da mulher por espaço e reconhecimento na sociedade. Na indústria paraense, não faltam exemplos de mulheres com belas histórias de sucesso e superação.
Eliziete Leão Marinho, técnica de segurança da refinaria de alumina Hydro Alunorte, localizada em Barcarena, esbanja simpatia. No auge dos seus 39 anos, como ela mesma diz, o seu maior prazer é estar viva e poder usufruir de cada dia.
Ela começou na empresa em 2002, como estagiária, e foi a primeira mulher a trabalhar no cargo, até então ocupado somente por homens. Hoje, ela é a técnica de segurança mais antiga da empresa e lidera uma turma de 37 técnicos, treinados para o mesmo cargo que ela. “Eu noto que quando eu passo alguma informação, eles confiam justamente pelo tempo de serviço que tenho aqui. Fui a primeira mulher em uma área muito voltada para homens. A empresa confiou em mim e eu confiei nela. Sou muito exigente, mas também sei que é preciso primeiro orientar para depois cobrar”, explica Eliziete.
A técnica é mãe de uma adolescente, Karine Leão Marinho, de 16 anos. Segundo ela, foi preciso criar uma estratégia para evitar que sua filha crescesse com a imagem de uma mãe ausente. “Decidi dizer para ela, todos os dias, que eu a amo, que ela é tudo para mim. Tivemos uma fase muito difícil. Quando ela completou cinco anos e começou a entender o mundo, cobrava muito a minha presença. Mas, precisei lutar para não perder minha filha. Apesar da minha dedicação ao trabalho, quando tenho tempo livre estou com ela. Ser mãe não é fácil, mas também é uma bênção. É por isso que ainda quero ter outro filho”.
E a estratégia deu certo. Hoje, Karine é uma menina responsável, que tem a mãe como um exemplo. “Ela é muito guerreira. Nunca deixou de cuidar de mim e sempre tentou equilibrar a vida profissional com a pessoal. Com ela eu aprendi a crescer”, contou a adolescente.
Rita Bastos, 46, também tem uma história parecida. Ela é a responsável pelo departamento que controla os processos de qualidade da empresa Imerys, também em Barcarena. Uma função de alta responsabilidade que ela desenvolve com muito prazer. Para chegar a este cargo, foram 16 anos dedicados à empresa. “Cheguei na época da implantação e, a principio, esta foi uma escolha difícil para mim. Eu era viúva e meu primeiro filho tinha apenas 9 anos. Nos mudamos de Monte Dourado, onde trabalhava como técnica em mineração. Esse tipo de mudança é complexa, mas mesmo assim, eu decidi arriscar. Nos mudamos para Vila dos Cabanos e comecei a investir nos meus estudos”, relata Rita.
De técnica em mineração, ela conseguiu se formar em gestão empresarial e engenharia de produção. A dedicação ao trabalho e aos estudos foi recompensada com as mudanças de cargo e a confiança no ambiente do trabalho. “Sou responsável, atualmente, pelo controle de qualidade de todos os processos da empresa. É um trabalho delicado que exige muita dedicação e por isso me orgulho do que faço”, diz Rita, que comanda uma equipe de dezesseis pessoas em seu laboratório.
Avaliando as conquistas até hoje, Rita diz que conseguiu realizar seus pequenos e grandes sonhos, desde um pé de jasmim na janela do quarto até o desejo de ter uma filha, que nasceu quando já estava trabalhando na Imerys. Os dois filhos e o reconhecimento no trabalho estão entre as suas maiores conquistas. “Eu tento repassar um pouco da minha experiência para os meus colegas, mostrar que é possível, que eles devem investir nas suas carreiras e conquistar os seus sonhos”.
Sabe-se que a data 8 de março foi estipulada como o Dia Internacional da Mulher, em memória das 130 operárias de uma fábrica em Nova Iorque que, ao reivindicarem melhores condições de trabalho, foram trancadas dentro da fábrica que, em seguida, foi incendiada.
Mesmo antes deste período, as mulheres precisaram lutar por respeito, pelo direito ao trabalho digno e por condições justas de vida. Elas precisaram vencer o preconceito com coragem.
Depois de tantos conflitos, hoje a mulher consegue se destacar em diversas áreas, incluindo o competitivo mercado de trabalho. Atualmente, não é difícil vê-la ocupando cargos de confiança dentro das empresas ou em espaços que, antes, eram somente dos homens. As mulheres continuam comandando a família, dedicando o tempo livre aos filhos e administrando a casa. A diferença é que, agora, é com elas que os homens dividem igualmente as contas, isso quando não são elas as responsáveis financeiras do lar. (Bárbara Brilhante e Diego Andrade, especial para o DOL)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar