O Congresso Nacional aprovou, na terça- feira (17), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que prevê para o ano que vem salário mínimo de R$667,75. A proposta agora vai para sanção da presidente Dilma Rousseff. O possível aumento de 7,3% leva em consideração o crescimento da inflação do ano corrente e o Produto Interno Bruto (PIB) dos dois últimos anos. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), no Pará, 47% da força trabalhadora recebe um salário mínimo.
Há 20 anos a atendente Narcisa de Melo, 51 anos, trabalha recebendo um salário mínimo. E foi com essa renda que ela, que ficou viúva cedo, conseguiu pagar a faculdade dos dois filhos. “O mais velho é formado em contabilidade e a minha filha se forma este ano em administração”, conta orgulhosa. Para alcançar tal feito, ela precisou aumentar a renda familiar. “Trabalho vendendo coxinhas, bijuterias e também aceito encomendas. A gente tem que fazer o salário ser multiplicado com outras atividades”.
O hábito antigo da atendente de poupar continua até hoje. “Junto moedas de R$0,05 para o cofrinho do meu neto de um ano. Quando ele crescer já vai ter um dinheirinho para a faculdade”, almeja. “Esses dias, curiosa, eu fui contar e vi que tinha R$55, tudo em moedas de R$0,05 que às vezes a gente acha no chão”.
Muitas pessoas acreditam que Narcisa é um exemplo a ser seguido e ela faz questão de repassar o que aprendeu com a vida. Há 35 anos ela é voluntária da Confederação Nacional das Associações de Moradores do Brasil (Conam) e dá palestras no interior do Estado sobre como administrar a renda. “Tem gente que depende todo o tempo daquele dinheiro e sempre reclama que não dá para pagar tudo. Se não dá para aumentar o salário, a gente tem que driblar a angústia de querer algo que não se pode ter”.
NA BOLSA...
Ainda faltando vários dias para o final do mês, ela procurou na bolsa e encontrou R$11. Narcisa conta que já viu essa cena várias vezes. “Tem dia que você só tem R$2 ou R$5, aí bate o desespero. Por isso, sempre guardo um dinheirinho na poupança para emergências”.
A atendente, que mora com o filho, a nora e o neto, gostaria que o reajuste do salário fosse maior que o previsto para 2013. “Todo o dia as coisas aumentam e os gastos ultrapassam o salário mínimo. Temos que ter as prioridades em mente e gastar o suficiente para sobreviver”, diz. “Os estudos têm que ser sempre prioridade, eu sempre fui incansável nessa luta. Sei que meus filhos não iam conseguir vencer sozinhos. Hoje fico feliz de vê-los com estudo e trabalhando”.
(Diário do Pará)
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