O preço da tarifa de ônibus deverá sofrer novo aumento nos próximos dias. Uma reunião do Conselho Municipal de Transporte de Belém (RMB) marcada para hoje à tarde, na sede da Superintendência Executiva de Mobilidade Urbana de Belém (Semob), vai discutir as duas planilhas que sugerem o percentual do novo reajuste.
A proposta do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém (Setransbel) é de reajustar o valor da passagem em 15%, o que elevaria o preço da tarifa de R$2,40 para R$ 2,76. Já a planilha da Semob propõe reajuste de 12,5%, o que equivale a um reajuste para R$ 2,70. Estes percentuais, se aprovados, vão acrescentar um aumento de R$0,30 a R$0,36 no valor da passagem. No ano passado, o reajuste foi de R$0,20, tendo como base a inflação do período.
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese/PA), os percentuais apresentados pelo Setransbel e Semob estão acima da inflação do período de um ano, quando ocorreu o último reajuste, fixada em torno de 10%.
Se o índice inflacionário for considerado, a passagem ficaria entre R$2,60 a R$2,65, no máximo. Ainda segundo o Dieese/PA, o novo reajuste impactará nas despesas mensais do usuário assalariado, que passará a gastar, em média, de R$ 129,60 a R$ 132,46 com transporte.
O Setransbel afirma que o reajuste se deve ao aumento de custos dos vários itens que compõem a referida planilha, principalmente os combustíveis, peças, óleo e pneus. No entanto, as planilhas analisadas pelo conselho não levam em conta o poder aquisitivo da
população.
DISCUSSÃO
O Pará é um dos poucos estados brasileiros sem incentivo ao transporte público como tarifas modais, terminal de integração e bilhete único. “É uma discussão que não pode esperar mais. A passagem pode ser reajustada, mas a população quer um transporte melhor”, afirma o supervisor técnico do Dieese/PA, Roberto Sena.
A opinião é compartilhada pelos usuários, que reclamam do novo reajuste. “Todo ano a prefeitura aumenta o valor da passagem, mas a gente continua pegando ônibus caindo aos pedaços”, diz a empregada doméstica Ana Clara Souza.
A demora do poder público em solucionar problemas como o engarrafamento diário e os ônibus lotados também são criticados pela população. “A gente só tem direito a pagar mais, mas nunca a usufruir de um transporte melhor. Além de pagar passagem com aumento, ainda somos obrigados a pegar ônibus em pé e que não sai do lugar”, reclama a professa Maria Alice.
O Conselho Municipal de Transporte é integrado por 18 membros, sendo nove da sociedade civil e nove do poder público (governo do Estado e prefeitura de Belém). O conselho poderá acolher a proposta de uma das planilhas ou rejeitar as duas, sugerindo um novo valor de reajuste. A proposta será encaminhada ao prefeito Zenaldo Coutinho, a quem caberá acatar ou não o valor apresentado.
SETRANSBEL
A proposta do Sindicato das Empresas de Transportes de Passageiros de Belém (Setransbel) é de reajustar o valor da passagem em 15%, o que elevaria o preço da tarifa de R$2,40 para R$ 2,76.
SEMOB
Já a planilha da Semob propõe reajuste de 12,5%, o que equivale a um reajuste para
R$ 2,70.
(Diário do Pará)
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