Um indicador inédito do Índice de Vulnerabilidade Juvenil – Violência e Desigualdade Racial (IVJ) mostra que os negros de 12 a 29 anos são as principais vítimas da violência e têm 2,5 vezes mais o perigo de serem assassinados no país do que os brancos. Segundo o levantamento, em todos os estados brasileiros, exceto no Paraná, os negros correm mais risco de exposição à violência, ou seja, estão mais vulneráveis que os brancos na mesma faixa etária. O estudo foi divulgado na última quinta-feira (07). O Pará está em sétimo lugar no ranking nacional.
O estudante Ewerton Souza é negro, e aos 24 anos, enumera casos vivenciados por ele por conta de sua raça. O jovem já foi confundido com ladrão e até mesmo com ex-presidiário. “Sou novo e tenho muitas histórias para contar”, esta foi a primeira frase antes de relatar os fatos. “Quando tinha 17 anos, fui à casa da minha avó, no bairro do Jurunas, de bicicleta. Estava no meio do caminho quando um carro me parou. O homem só dizia assim: “Foi ele, foi ele!”. E mais dois saíram do carro e me bateram até eu desmaiar. Fiquei todo machucado”, disse. “Depois disso, fiquei com medo de sair de casa. Outra vez, a polícia me levou pensando que eu era um fugitivo. Apanhei muito dos PMs e, quando cheguei à delegacia, eles souberam que não era eu”, lembrou. “Negros e pobres no Brasil sofrem com o preconceito. As pessoas usam a violência como se fôssemos bichos. Eu nunca tive passagem pela polícia. Sempre trabalhei e ajudei a minha família”, concluiu.
Patrícia Cordeiro, Integrante do movimento Jovens Comunicadores da Amazônia (JCA), do Instituto Universidade Popular (Unipop), ressalta os principais pontos para que essa violência contra os jovens, principalmente negros, chegue ao fim. “Faltam políticas públicas voltadas para a juventude, especialmente para os pobres, negros e moradores das periferias, como: educação, moradia, lazer, profissionalização, emprego, saúde, saneamento. Também, um espaço escolar em que eles sejam vistos como sujeitos de direitos, sendo este espaço um lugar que transcenda o mero repasse de conhecimento, mas que acolha estes sujeitos com suas crenças, visão de mundo, desejos, seus diversos saberes”, argumentou.
“O Estado do Pará não tem propostas que deem conta de minimizar esta situação, sendo ele o primeiro a violar tais direitos”, pontuou Patrícia. Por outro lado, grupos de unem para dar o mínimo de estrutura aos negros. “Existem vários projetos e grupos trabalhando em Belém e no Estado. Isso mostra que a sociedade civil já sabe que a situação da juventude do Brasil afora é dramática, e vem trabalhando e falando deste problema bem antes do Conselho Nacional de Justiça se manifestar”, declarou. “Diretamente trabalhando com negras e negros temos o CEDENPA, Mocambo, Casa Preta, Projeto Ijê Ofè (FAOR). Trabalhando com adolescentes e jovens tem a UNIPOP, o Movimento de Emaús, a FASE, Tela Firme, RECID, IACEP, Lar Fabiano de Cristo, Ocupart, Jovens +Pará, Pastoral da Juventude, Rede Ecumênica de Juventude - REJU, Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadores - RENAJOC, Rede Escola Cidadã, e outros que trabalham na defesa das garantias de direitos destes sujeitos, como SDDH, por exemplo".
Altamira e Marabá são as mais violentas.
(Diário do Pará)
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