Está se repetindo a situação vivida pelos paraenses durante a construção da pista do BRT (Bus Rapid Transit), na Almirante Barroso. A mudança foi o cenário. Os transtornos agora ocorrem num perímetro de 2,5Km, que vai do início da avenida Augusto Montenegro até o Mangueirão. A reprise do sufoco e falta de segurança é sobretudo nos horários considerados de pico: começo da manhã e fim da tarde.
Segundo a placa da Prefeitura de Belém, em frente ao Mangueirão, os trabalhos se iniciaram em janeiro de 2015 com previsão de entrega para junho de 2016. Porém, as obras começaram, de fato, no dia 6 de abril. São 45 milhões investidos. O DIÁRIO esteve, na manhã de ontem, na Augusto Montenegro e não localizou sequer um trabalhador em toda a extensão da via. Os únicos a transitarem pelo que será o BRT eram pedestres que necessitavam atravessar de uma pista a outra.
Em determinados trechos, há água empoçada, lixo e muita lama. O ambiente causa riscos à saúde de quem passa pelo local, como ciclistas, motociclistas e motoristas que usam o perímetro das obras para fugir do congestionamento.
DEMORA
Segundo notícia publicada no próprio site da Prefeitura de Belém, o trabalho da pista do BRT “seguiria em ritmo acelerado”, mas não é o que a população observa. “Já não vejo ninguém aí há umas duas semanas. Só tiraram as árvores e à tarde fica um trânsito só. Não passa nada. Fica tudo engarrafado’’, diz o mototaxista Diego dos Santos, 20 anos.
Fabio Henrique Rodrigues, 31 anos, também mototaxista, sente na pele o que é enfrentar o trânsito na Augusto Montenegro. “Tá tudo parado. Foram destruídas todas as árvores. Os pedestres, para atravessarem a rua, têm a maior dificuldade. É um deus-nos-acuda. Para a gente isso aqui é complicado porque estreitou a pista. Para mim, não vai resolver isso. A maioria dos carros passa pela pista normal, onde o fluxo de carro é maior. Pelo BRT, só vão passar ônibus e ambulâncias.”
O aposentado Moisés Araújo, 65 anos, leva de segunda a sexta-feira as netas para a escola. Durante os cinco dias da semana, vê muito congestionamento e nenhum trabalhador para agilizar as obras. Ele diz não ter ideia de quando o sufoco vai terminar. “Vou deixar minhas netas na escola e pego a Augusto Montenegro. Da entrada da Transcoqueiro para lá o trânsito já complica. Esse é um prefeito (Zenaldo Coutinho) de gabinete. Se sair, adoece. Eu votei nele e agora vou ter que engolir a seco’’, ressalta.
A Secretaria Municipal de Urbanismo (Seurb) afirma que segue o plano de trabalho de maneira que os transtornos sejam mínimos. “Por isso trabalhamos por etapas. Sendo assim, é extremamente importante ressaltar que a obra do BRT não está parada, apenas seguindo o cronograma.
Segundo a nota, quando for eliminado o canteiro central, começarão os trabalhos de terraplanagem e concretagem da pista expressa. Após esta etapa, as obras passarão para a via, onde será feita drenagem, calçamento, ciclovia, urbanização e pavimentação. “A previsão para a conclusão da obra, que vai do Entroncamento até Icoaraci, é de 18 meses.”
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar