Em junho de 2009, com apenas sete anos, a irmã da estudante de Comunicação Social Paula Oliveira foi diagnosticada com diabetes. No início, a criança chegou a tomar de cinco a sete injeções todos os dias e já fez o uso da caneta de insulina. Atualmente, utiliza um aparelho que faz o controle e a aplicação automática do medicamento, que foi recebido no ano passado.
Porém, ela e sua família temem que o transtorno volte a ser uma realidade, uma vez que a paciente não está recebendo produtos como agulhas, fitas e insulina, usados no aparelho.
Depois de ser diagnosticada com diabetes, a criança passou a fazer tratamento no Hospital Universitário João Barros Barreto. “Minha irmã faz parte de um grupo de quase 10 pessoas que receberam um aparelho de insulina do governo, pois foi avaliado pelo médico que ela não tinha mais condições de usar a seringa e a caneta devido a diabetes dela ser profunda”, explicou Paula.
Mesmo sendo apontado o uso do aparelho pelos médicos, foi apenas em setembro de 2014, depois de quase quatro anos de muita luta e um processo no Ministério Público Estadual, que finalmente a irmã de Paula recebeu a bomba de insulina. O aparelho controla a glicemia, além de diminuir em 90% o número de furadas que ela leva por dia. “Antes a glicemia dela chegava a 580, quando o índice normal do diabético é de 200. Tínhamos que ficar toda hora fazendo a medição. Ela sofria bastante com as furadas, pois antes de cada refeição ela tinha que tomar duas e ficava toda furada”.
SESPA
O aparelho foi fornecido pelo governo do Estado, através da Secretaria Estadual de Saúde (Sespa), a quem também foi atribuída a responsabilidade em manter a entrega dos produtos, o que não vem sendo cumprido. A família da adolescente, hoje com 13 anos, não tem condições de arcar com a despesa. “O tratamento é feito pelo Barros Barreto, mas a Justiça determinou que o governo desse o aparelho. Todos os meses, nós recebemos o material na URE da Doca, mas esse mês não veio e não sabemos o que fazer”.
“Todos os pacientes que recebem a bomba estão nessa situação. Os familiares não sabem o que fazer para comprar os materiais. A bomba custa mais de R$ 10 mil e o gasto total com esse material é maior que R$800 mensais. Estamos reunindo os laudos e vamos levar todos ao Ministério Público essa semana para cobrar a manutenção do tratamento. Há pessoas do interior do Estado que estão na mesma situação. Minha irmã já passou 21 dias internada. Esse aparelho diminui o sofrimento dela”, relatou Paula.
O diabetes se caracteriza pelo acúmulo de açúcar no sangue, aumenta o risco de doenças do coração e do rim e pode levar à cegueira, entre outras complicações.
A Sespa afirma que “já foi feito o empenho para a aquisição do material para a manutenção da bomba de insulina da paciente. A Sespa ainda ressalta que o desabastecimento ocorreu porque o fornecedor, FBM Indústria Farmacêutica, não entregou em tempo hábil. Após esgotar o prazo estabelecido para a distribuição do insumo, a empresa solicitou prorrogação, porém, mais uma vez, não
cumpriu”.
(Diário do Pará)
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