Passados para a opinião pública como resultado da última viagem do governador Simão Jatene à Argélia, os investimentos do grupo Cevital no Pará já vem sendo realizados desde 2013, quando a empresa anunciou interesse em adquirir terrenos em Santarém e Miritituba.
Na semana passada, quando Jatene ainda arrumava as malas para a partida - em meio à greve dos professores que deixou 700 mil alunos da rede pública sem aulas -, o jornal de economia e negócios Valor já havia anunciado os investimentos do cevital no Brasil. Isso significa que a viagem de Jatene e comitiva não teve nenhuma influência sobre a decisão, diferente do que tenta vender a máquina de propaganda do governo.
À Assembleia Legislativa do Pará, Jatene chegou a pedir 12 dias de licença para a viagem que, pelo que tudo indica, tinha como único compromisso oficial visita às instalações do grupo. Com a repercussão negativa, após publicação no DIÁRIO de matéria sobre as viagens do governador e nas redes sociais, onde internautas publicaram fotos do embarque em meio a ironias, a volta foi antecipada em uma semana. O governador desembarcou ontem em Belém e o restante da comitiva deve chegar hoje.
A suspeita é de que o governador aproveitaria a ida a Argélia para estender a viagem, já que o período de 12 dias não se justifica para uma simples visita à empresa. Não é a primeira vez que uma viagem de Jatene ao exterior causa polêmica no Pará.
PARIS e Tóquio
No mandato anterior, Jatene foi a Paris, com uma comitiva, apenas para receber o certificado da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) de que o Pará é área livre da febre aftosa. Em meio à crise pela qual passam os cofres públicos, com cortes em várias áreas, os eleitores não pouparam o governador. Alegaram que o certificado poderia ser enviado até pela internet, economizando os recursos públicos do Estado. Outra viagem foi a Toquio. Na volta, Jatene anunciou ter obtido mais de R$ 300 milhões de investimentos para estender o BRT até Marituba. Já se passaram mais de dois anos e nunca mais o governo falou sobre o assunto.
A prova de que a viagem de Jatene à Argélia não trouxe novos investimentos ao Estado e serviu apenas de passeio à custa do dinheiro público são as informações que vêm sendo divulgadas há mais de dois anos de que o grupo argelino já comprou terrenos em Santarém e Miritituba, no Pará, e em Tabaporã (no Mato Grosso) e Pecém (Ceará).
O grupo, que atua na área de commodities agrícolas na Argélia, vai investir US$ 2 bilhões no Brasil nas área de processamento de grãos e logística e parte dos recursos deve ficar no Pará, nos municípios de Santarém e Itaituba, a partir de onde as commodities devem ser escoadas. A operação deve ser iniciada apenas em 2020.
Ao jornal Valor, em entrevista publicada no último dia 14, o representante do grupo no Brasil explicou que os investimentos no Pará chegam a US$ 1 bilhão (em torno de R$ 3 bilhões, e não os cinco anunciados por Jatene), que serão usados em Santarém, onde, além do complexo agroindustrial, serão construídos quatro terminais fluviais para o escoamento da produção.
Em Miritituba, distrito de Itaituba, o grupo fará operações de transbordo da carga que chegará do Centro-Oeste para que ela seja levada a Santarém.
As atenções do grupo se voltam ao transporte fluvial e, naturalmente, à saída pelo Norte do país, que tem sido alvo das maiores apostas para destravar o escoamento da produção nacional de grãos do Centro-Oeste, ainda concentrado no eixo Sul-
Sudeste.
O DIÁRIO enviou para a Secretaria de Comunicação do Estado pedido de informações sobre a viagem, como a assinatura de acordos entre o governo e a Argélia. A resposta foi que a viagem foi feita a convite do grupo Cevital e “ratifica uma parceria que vem sendo desenhada há mais de um ano e abre caminho para novos investimentos no Pará”.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar