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Moradores são reféns da violência em Ananindeua

Quem trabalha e/ou mora no município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, sente na pele diariamente os motivos que levaram a cidade a figurar entre as mais violentas do país. O segundo maior município do Estado do Pará ficou na terceira posiçã

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Quem trabalha e/ou mora no município de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, sente na pele diariamente os motivos que levaram a cidade a figurar entre as mais violentas do país. O segundo maior município do Estado do Pará ficou na terceira posição no “Mapa da Violência – Mortes Matadas por Armas de Fogo”, elaborado pelo sociólogo Julio Jacobo e editado pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O ranking aponta um número assustador: a taxa média de mortalidade de jovens por armas de fogo em Ananindeua é de 228,0 para cada grupo de 100 mil habitantes.

O município ficou atrás apenas das cidades de Simões Filho (306,0) e Lauro de Freitas (247,0), ambas do Estado da Bahia. E não para por aí. Recentemente, o Observatório de Homicídios divulgou uma pesquisa, tendo como referência o ano de 2012, onde a cidade vizinha à capital paraense lidera a taxa de homicídios por 100 mil habitantes (125,7). Naquele ano, Ananindeua registrou 608 homicídios, sendo uma média de 50,6 assassinatos por mês.

Os dados mostram que a insegurança é uma palavra que, infelizmente, já faz parte da rotina dos moradores e donos dos mais variados tipos de estabelecimentos que funcionam naquele município. É difícil encontrar alguém que não tenha para contar uma situação de violência vivida ou presenciada.

É o caso da funcionária de uma panificadora localizada no centro de Ananindeua, próximo à rodovia BR-316. Milena Costa mora próximo ao estabelecimento e conta que no trajeto de sua casa para o trabalho sofreu assaltos por duas vezes e, em menos de um ano trabalhando naquele local, já presenciou três assaltos que ocorreram neste período. “Nas três vezes eu estava só aqui, colocaram a arma na minha cabeça e levaram a renda. Vindo para cá, já fui assaltada duas vezes. Geralmente são adolescentes que aparentam ser até bem de vida, bem vestidos e sempre de moto. Medo a gente tem, mas tem que vir trabalhar, né? É o jeito correr o risco”, lamenta.

Fora os assaltos sofridos no seu local de trabalho, Milena afirma presenciar os crimes naquela área quase que diariamente. “Eles não querem saber se vão ser presos ou não. Aí nessa praça da igreja assaltam direto. São poucos os guardas que a gente vê por aí. Muitas pessoas, quando veem alguém de bicicleta ou de moto, já se escondem, porque ficaram traumatizadas. A gente não pode mais sair de casa tranquilo. Acho que, se tivesse algo para eles fazerem, essa criminalidade diminuiria”, avalia.

Já Luana Bohnert, 21, moradora do município e funcionária de uma academia também localizada do centro da cidade, diz que costuma adotar algumas medidas preventivas. “Sexta-feira passada teve um tiroteio na parada de ônibus em frente à prefeitura. Quando dá dez horas (22h) é quase um toque de recolher, ninguém fica na rua. Eu não ando de micro-ônibus a partir das 18h, porque ainda é mais arriscado que os ônibus maiores. E, para entrar na rua da minha casa, é só de mototáxi para não correr mais riscos. Até ‘brinco’ que quando eu era criança assaltavam a pé, depois de bicicleta e agora é só de moto. Daqui a pouco, vai ser só de carro. O poder público tem um discurso bonito de que os jovens precisam de educação, mas não investem em segurança e a população ficar à mercê. A gente percebe que só piora. A insegurança é total”, reclama a jovem.^

Em abril, oito mortes somente no Icuí.

(Diário do Pará)

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