Alunos da Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Prof. Jorge Lopes Raposo enviaram ao whatsapp do DIÁRIO imagens feitas na última quarta-feira, que revelam o abandono do prédio em que funciona a escola, no distrito de Icoaraci, na travessa Berredos, entre 2ª e 3ª ruas.
Há meses que os estudantes denunciaram as más condições do local sem que houvesse uma resposta positiva do governo do Estado para ao menos suavizar o problema e dar a alunos e professores condições mínimas para as aulas.
Para completar, a escola é uma das diversas que estão sem aula em sua plenitude, em que pese a Secretaria de Educação do Estado (Seduc) divulgar em emissoras de TV e em seu site oficial na internet que 84,71% das escolas estaduais estão funcionando total e parcialmente.
Apenas cinco professores retornaram na última segunda-feira à escola, pouco para o universo de alunos matriculados no estabelecimento. Ainda assim, não há aulas diariamente. Ontem, por exemplo, os estudantes do 2º ano tiveram que ficar em casa e só retornariam hoje à escola, mas apenas para a disciplina de filosofia. E tem sido essa a rotina dos estudantes, com aulas na base da sorte.
SITUAÇÃO
Para a estudante Kethelem Dias, que estuda pela manhã e é aluna do 2º ano, a situação é preocupante. Sobre as condições estruturais do prédio, ela informa que o mesmo não pertence ao Estado. Seria mais um local alugado.
“Temos o terreno, que se encontra bem em frente à escola. O prédio em si não é nosso”, disse ela, que estuda na Jorge Raposo desde a 5ª série. As imagens enviadas pelos alunos mostram um amontoado de cadeiras em um terreno e vários livros jogados no chão, e ao redor da escola um matagal. A área de lazer praticamente inexiste.
Sobre a falta de aulas, os estudantes temem pelo semestre praticamente perdido. Kethelem teme que, com a proximidade do Enem 2015, programado para outubro, os alunos não estejam preparados adequadamente. “Estamos certos de que eles (professores) estão reivindicando melhorias, para eles e para nós, alunos. Mas quase dois meses de greve... Praticamente perdemos o nosso 1° semestre por causa disso”. Por outro lado, sobraram críticas ao governo do Estado. A estudante quer saber onde estão os temporários anunciados pela Seduc para suprir a ausência dos professores durante a greve.
“Infelizmente, o governo não entra em acordo com eles. O mesmo disse que iria colocar contratados, mas aí pergunto: Cadê, governo? Em minha escola não tem isso. Simplesmente o governo não prioriza a educação”, desabafou. A Seduc foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento desta edição.
(Diário do Pará)
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