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No Pará, frota ganha 176 carros por dia

Trafegar por qualquer via na capital paraense em horários de pico se tornou uma missão quase impossível. Trânsito lento, ruas totalmente congestionadas, estresse e aborrecimento de motoristas ao longo de todo o percurso. Este é o reflexo do aumento da qua

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Trafegar por qualquer via na capital paraense em horários de pico se tornou uma missão quase impossível. Trânsito lento, ruas totalmente congestionadas, estresse e aborrecimento de motoristas ao longo de todo o percurso. Este é o reflexo do aumento da quantidade de veículos particulares no decorrer dos últimos anos, no Estado. Para promover a mobilidade falta investimento em educação e transporte público de qualidade.

De acordo com os dados do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), em abril deste ano, o Pará tinha uma frota de 1.632.071 veículos. O mais surpreendente é que o número de motocicletas já superou o de automóveis: são 693.582 motos contra 503.551 carros particulares. Com tantos veículos assim, a tendência é o trânsito entrar em colapso, sobretudo em Belém. Na capital, a concentração é de 403.160, sendo 215.306 automóveis e 98.986 motocicletas. O que mais assusta é o “boom” de veículos num espaço de 10 anos. Em 2005, ainda segundo o Denatran, a frota total no Pará era de aproximadamente 54 mil veículos, e somente neste ano 21.217 veículos já foram emplacados. Ou seja, em média, diariamente 176,8 carros invadem as ruas do Estado.

Para a professora do Instituto de Tecnologia da Universidade Federal do Pará, Patrícia Bittencourt, especialista em trânsito, o aumento considerável na frota ano após ano se deve a deficiência do transporte público, que não oferece aos usuários condições mínimas de conforto e praticidade na locomoção de um lugar a outro. “As pessoas passam a migrar para outros modelos de transportes individuais, associados às facilidades com linhas de crédito para a aquisição de veículos, o que é muito nocivo para o nosso trânsito, pois aumenta o risco de acidentes, espera, congestionamento e estresse”, pontuou Bittencourt.

No ponto de vista da especialista, mais do que nunca é importante que ocorra uma política mais efetiva voltada ao trânsito. “Com esse aumento é necessário ter mais políticas públicas voltadas para toda a população. Pois temos a questão ambiental, que inclui a poluição sonora e atmosférica”, ressaltou.

Para suavizar os impactos, muitos desafios se apresentam nesse momento e nesse pacote de medida diversos atores são convocados. “Todos temos uma parcela de culpa no caos do trânsito. São os motoristas que não respeitam as faixas, trafegam nas ciclovias, param os carros em fila dupla. Além disso, as motociclistas andam pelas calçadas, passarelas, não respeitam as leis de trânsito, andam sem capacetes”, destacou.

Por outro lado, a professora ressalta a deficiência do poder público. Para se promover mobilidade, é necessário ter educação, informação e fiscalização. “Por exemplo, visualmente percebemos que em um bairro como o Guamá, a maior parte dos motociclistas não usam capacetes, e não vemos guardas de trânsito orientando os condutores. Não vemos também informações dos órgãos oficiais em relação à frota, educação, nem mesmo o itinerário de todas as linhas de ônibus, como temos em outras capitais. Mas, a melhor forma de se trabalhar com o trânsito é oferecendo qualidade no transporte público, para evitar congestionamento e insegurança de acidentes”, disse.

(Diário do Pará)

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