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Homenagem virou símbolo do descaso e abandono

Caminho para pontos turísticos, como o Mercado do Ver-o-Peso e o Complexo Feliz Lusitânia, a grande praça instalada no encontro das avenidas Assis de Vasconcelos e Marechal Hermes, em Belém, é o retrato do descuido com o patrimônio público. Batizado em ho

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Caminho para pontos turísticos, como o Mercado do Ver-o-Peso e o Complexo Feliz Lusitânia, a grande praça instalada no encontro das avenidas Assis de Vasconcelos e Marechal Hermes, em Belém, é o retrato do descuido com o patrimônio público. Batizado em homenagem ao maestro e compositor paraense Waldemar Henrique, o local chega a afugentar visitantes, pelas condições de abandono e pela falta de segurança.

Na manhã de um dia ensolarado como o de ontem, praticamente nenhuma pessoa era vista aproveitando o espaço. Em uma rápida caminhada por entre os bancos, monumentos e brinquedos instalados no local, já é possível descobrir a razão. Antes que se consiga chegar ao centro da praça, o forte odor de fezes e urina incomoda qualquer pessoa que passe por ali. Por entre a grama surgem os mais variados tipos de lixo, que vão de papel e plástico a cacos de vidro.

Nos monumentos que identificam o homenageado e suas criações, a pichação já se demonstra antiga. A concha acústica serve apenas de abrigo para moradores de rua. Até os brinquedos construídos em forma de instrumentos musicais não permitem mais o uso por estarem completamente danificados.

Veja imagens da praça.

PROBLEMAS DESESTIMULAM PASSEIOS

Única pessoa na praça por volta das 9h de ontem, o estudante Augusto Carvalho, 17 anos, tentava aproveitar o espaço ao ar livre para estudar e ouvir música. Diante de problemas que vão além da evidente falta de manutenção, porém, era difícil se concentrar. “Não é bom ficar aqui como eu estou, sozinho. Mas a essa hora eu até me arrisco”.

O receio sentido pelo estudante é explicado pela ausência de guardas ou policiais no local.

Durante todo o tempo que a equipe do DIÁRIO esteve no local, pela manhã, não foram vistas viaturas.

Quem precisava atravessar a praça em direção à parada de ônibus, fazia a passos acelerados. “Ninguém senta mais aqui, porque tem medo”, confirma o barman Rafael Thomas, 32 anos.

SEM LAZER

Tendo a praça como parte do percurso para visitar um amigo, Rafael até que gostaria de aproveitar o espaço para brincar com o filho Enzo, de 3 anos. A ausência de assentos nos balanços e a utilização do escorrega como único local de dormida por um morador de rua se tornam fortes empecilhos. “É uma praça muito bonita, poderia ser melhor aproveitada. Se pelo menos os brinquedos estivessem funcionando...”.

Chegando ao fim da praça, outro incômodo dificulta a utilização do espaço público.

O local, que já abrigou um dos poucos banheiros públicos de Belém, não possui sequer telhado. A grade que deveria protegê-lo está totalmente danificada.

Apesar das más condições constatadas desde o lado de fora, o membro da marinha mercante Nelson dos Santos, 38, se viu obrigado, diante da necessidade, a utilizar o local. A situação encontrada do lado de dentro foi ainda pior. “Está péssimo! Tem fezes por todo o chão e nem cobertura tem mais”, falou sobre o local.

O DIÁRIO solicitou nota para a Prefeitura de Belém, sobre os problemas relatados, mas até o fechamento desta edição não obteve resposta.

QUEM FOI WALDEMAR HENRIQUE

O renomado compositor paraense Waldermar Henrique. (Foto: arquivo)

Waldemar Henrique (*15/2/1905 +28/3/1995) foi um pianista e compositor paraense reconhecido mundialmente pela grandiosidade de sua obra musical. Trabalhou em rádios, teatros e cassinos do Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte e, por mais de 10 anos, dirigiu o Theatro da Paz.

Suas obras têm como tema, principalmente, o folclore amazônico, indígena, nordestino e afro-brasileiro, somando mais de 120 composições autorais. A primeira música de sucesso de Waldemar foi “Minha Terra”, composta em 1923. “Uirapuru” é uma das composições mais conhecidas do maestro.

(Cintia Magno/Diário do Pará)

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