A evolução de mortes efetuadas com armas de fogo no período de 10 anos (2002 a 2012) mostra um crescimento global de 204% deste tipo de morte no Pará na década analisada. Os dados fazem parte do estudo “Mortes ocorridas por Armas de Fogo”, divulgado ontem, 13, pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).
O levantamento feito pelo Mapa da Violência mostra que ocorreu um forte crescimento da mortalidade na região Norte — 135,7% na década, mais que duplicando o número de vítimas no período. Pará e Amazonas atuam como carro-chefe desse crescimento.
Em 2002, em todo o Pará, foram 741 mortes desta natureza e em 2012 as mortes chegaram a 2.253. Na década, o maior aumento ocorreu em 2010, com 2.622 crimes por arma de fogo. Comparando dados de 2011 (2.174) para 2012 (2.253), houve um aumento de 3,6%.
O Pará ocupa a 10ª posição no país no ranking de mortes por arma de fogo. Foram 28,8 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes em 2012. Em 2002, o Estado ocupava a 19ª posição nesta modalidade. Na década, o estado paraense registrou 150,9 mortes por 100 mil habitantes, posicionando o Pará na sexta posição entre os estados onde ocorre o maior número deste tipo de morte.
Quando se trata da morte de jovens nesta modalidade, o Pará apresenta aumento de 244,3% no período de 2002 a 2012, ou 188 mortes por cada grupo de 100 mil habitantes. Representando aproximadamente 29% da população total no Brasil, os jovens concentram praticamente a metade das mortes por arma de fogo, fato que se reflete imediatamente nas taxas. A região Norte foi a que apresentou o maior número de mortes, com aumento de 168,4% na década.
O levantamento mostra que 42.416 pessoas morreram em 2012 vítimas de armas de fogo no Brasil, o que equivale a 116 mortos por dia. Deste total, 94,5% foram mortes por homicídio.
Conforme o levantamento, que é realizado desde 1980, a taxa de mortalidade por armas de fogo foi a segunda mais alta do país na série histórica: 21,9 óbitos para cada 100 mil habitantes. Estão incluídos os casos de homicídio, suicídio, mortes por acidente e em circunstâncias indeterminadas. A maior taxa já registrada foi em 2003, de 22,2 mortes para cada 100 mil habitantes.
Já a taxa de homicídios com armas de fogo, que em 2012 atingiu 20,7 para cada 100 mil habitantes, foi a mais alta já registrada.
Segundo o estudo, que separa os dados dos homicídios por faixa etária, os jovens de 19 anos são as principais vítimas, com 62,9 mortes para cada 100 mil habitantes. Em seguida vêm os de 20 anos, com 62,5 mortes para cada 100 mil habitantes.
Os dados do levantamento, realizado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, são do Subsistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde. O SIM é baseado nas declarações de óbito expedidas no país, contendo local e características das vítimas, como idade, cor e gênero.
(Diário do Pará)
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