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POLÍCIA

Conselheiro tutelar chama PMs de truculentos

O conselheiro tutelar de Marituba, Antônio Rufino Silva Filho, 53 anos, foi apresentado na manhã de ontem na Seccional local, suspeito de desacato a policiais, lesões corporais leves e resistência à prisão. Quem o apresentou foram os soldados Tomé e Alex,

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O conselheiro tutelar de Marituba, Antônio Rufino Silva Filho, 53 anos, foi apresentado na manhã de ontem na Seccional local, suspeito de desacato a policiais, lesões corporais leves e resistência à prisão. Quem o apresentou foram os soldados Tomé e Alex, da PM. Eles foram acusados pelo conselheiro de tê-lo detido após invadirem as instalações do Conselho Tutelar do Município, algemá-lo com muita agressividade e ainda lhe causando lesões corporais, além de muita truculência e arbitrariedade.

O delegado James Moreira, diretor da Seccional, ouviu as partes para poder determinar o que fazer, em termos de procedimento policial civil. Segundo o que foi apurado pelo delegado, os dois PMs estavam de ronda na rua onde mora o conselheiro, pois havia denúncia feita pelo fone 181, sobre um possível tráfico de drogas. Em decorrência, os dois soldados abordaram Antônio, ao considerá-lo suspeito, uma vez que a denúncia apontava para a casa dele.

Mas Antônio não permitiu ser revistado pelos PMs. Entrou em seu carro e saiu do local, indo direto para o prédio do Conselho Tutelar, onde trabalha. Ao entrar, os dois soldados entraram atrás e lhe deram voz de prisão, dizendo que iriam levá-lo para a Seccional, a fim de ser feita averiguação sobre o mesmo.

Antônio então se identificou como conselheiro tutelar e disse que os soldados não tinham ordem para entrar no prédio, pois era cedo e ele ainda não estava aberto ao público. Os soldados, entretanto, alegaram que Antônio estava dentro de um flagrante, pois havia cometido um desacato aos mesmos assim como não obedeceu a voz de prisão.

E, quando os soldados partiram para detê-lo, o conselheiro, segundo o que foi apurado, jogou-se ao chão para impedir que fosse retirado de dentro das dependências do Conselho. Mesmo assim, Antônio foi algemado e levado pelos PMs, que então, já contavam com reforço de uma outra guarnição.

Na seccional, tanto os dois soldados como o conselheiro apresentavam ferimentos leves, sendo o soldado Tomé, em uma das mãos, e o soldado Alex, no rosto. Já Antônio estava ferido no rosto, nos braços e apresentava sulcos avermelhados nos punhos, feitos por algemas, retiradas na seccional.

O delegado James Moreira disse que a casa do conselheiro era alvo de denúncia, porque o filho dele, que já havia sido preso por envolvimento com drogas, estava sendo denunciado pelo disque-denúncia, fone 181, de recente envolvimento com entorpecente. Ele, o delegado, acredita que os soldados tenham sido informados desse disque-denúncia pelo CIOP e faziam averiguação na rua, e principalmente no endereço de Antônio, quando suspeitaram dele, que saia da casa.

Um pouco antes, a filha de Antônio já havia sido abordada também pelos dois soldados na frente da casa, mas entrou na residência e isso aumentou mais ainda as suspeitas dos soldados de que algo poderia estar irregular no local.

No momento em que o conselheiro era apresentado na seccional, chegaram outros conselheiros e familiares de Antônio, fazendo acusações de excesso e abuso dos soldados contra o conselheiro, dentro das dependências do Conselho Tutelar. Também um advogado foi chamado para defender os interesses de Antônio.

O delegado James, diante do que foi apurado, decidiu lavrar um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), tendo os soldados como vítimas e o conselheiro como acusado.

O conselheiro e os policiais foram encaminhados para exames de corpo de delito no Centro de Perícias “Renato Chaves” e liberados.

O procedimento tomado, será encaminhado nos próximos dias para a Justiça.

O conselheiro, inconformado com o que lhe aconteceu, apresentou ocorrência na Corregedoria da PM, pedindo apuração dos fatos. Ele apresentou um vídeo feito na ocasião em que os PMs o prendiam, onde, segundo ele, estavam as cenas de abuso de autoridade e excessos.

(Diário do Pará)

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