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Lipedema: conheça os sintomas e tratamento da doença que afeta as mulheres

Campanha chama atenção para doença que afeta milhões de mulheres e pode ser confundida com obesidade; especialistas destacam importância do diagnóstico precoce.

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Imagem ilustrativa da notícia Lipedema: conheça os sintomas e tratamento da doença que afeta as mulheres camera Campanha do Junho Roxo chama atenção para sintomas, diagnóstico e tratamento do lipedema, doença que afeta principalmente mulheres. | Divulgação

O aumento desproporcional das pernas, a sensação de peso constante e a dificuldade de perder gordura localizada são sinais que, muitas vezes, passam despercebidos ou são atribuídos apenas a fatores estéticos. No entanto, esses sintomas podem estar ligados ao lipedema, uma doença crônica ainda pouco conhecida, que afeta principalmente mulheres.

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Apesar de pouco discutida fora do meio médico, a condição pode ser mais comum do que se imagina. Um estudo publicado no Jornal Vascular Brasileiro estimou uma prevalência de 12,3% entre mulheres adultas no país, o que representaria cerca de 8,8 milhões de pessoas com sinais compatíveis com a doença. Os pesquisadores ressaltam que o levantamento foi feito por questionário e não substitui diagnóstico clínico, mas ajuda a dimensionar a relevância do tema.

O lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal e desproporcional de gordura, principalmente em pernas e quadris, podendo também atingir os braços. Um dos aspectos que mais chama atenção é o fato de mãos e pés geralmente não serem afetados, o que ajuda a diferenciar a condição de outros quadros, como obesidade e linfedema.

De acordo com a médica clínica da Hapvida, Bárbara de Alencar, uma das principais diferenças em relação a outras condições é a distribuição desproporcional do tecido adiposo, que geralmente preserva pés e mãos.

A médica clínica da Hapvida, Bárbara de Alencar
📷 A médica clínica da Hapvida, Bárbara de Alencar |( Reprodução / arquivo pessoal )

“Diferentemente da obesidade, essa gordura apresenta distribuição desproporcional, geralmente preservando os pés e as mãos. Além disso, muitas pacientes relatam dor, sensibilidade ao toque e facilidade para desenvolver hematomas. Já o inchaço comum costuma variar ao longo do dia e pode estar associado a outras condições clínicas, enquanto o lipedema apresenta características específicas e persistentes”, explica.

Segundo a especialista, os principais sintomas incluem aumento desproporcional do volume das pernas ou braços, sensação de peso, dor ou sensibilidade ao toque, inchaço que piora ao longo do dia, facilidade para surgimento de hematomas e dificuldade para perder gordura nessas regiões mesmo com dieta e atividade física.

Lipedema: conheça os sintomas e tratamento da doença que afeta as mulheres
📷 |( Reprodução / arquivo pessoal )

“A procura por avaliação médica deve ocorrer sempre que houver desproporção corporal associada a dor, desconforto ou impacto na qualidade de vida”, reforça.

Bárbara de Alencar também destaca que o lipedema acomete predominantemente mulheres e possui forte relação com fatores hormonais. Os sintomas podem surgir ou se intensificar em fases como puberdade, gestação e menopausa. Além disso, há importante componente hereditário, sendo comum o relato de casos na família, especialmente entre mães, irmãs e avós.

O diagnóstico é essencialmente clínico, feito a partir da avaliação médica detalhada, exame físico e histórico do paciente. Em alguns casos, exames complementares podem ser solicitados para excluir outras doenças, como linfedema ou insuficiência venosa. O tratamento é multidisciplinar, envolvendo clínico geral, angiologista, cirurgião vascular, endocrinologista, fisioterapeuta, nutricionista, educador físico e, quando necessário, psicólogo.

“Embora o lipedema não tenha cura, existem diversas estratégias capazes de controlar os sintomas e melhorar significativamente a qualidade de vida. O tratamento inclui alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso, fisioterapia especializada, uso de meias de compressão e acompanhamento nutricional. Em casos selecionados, a cirurgia, especialmente a lipoaspiração específica para lipedema, pode ser indicada para reduzir sintomas e melhorar a funcionalidade”, explica.

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A médica também alerta para os impactos da doença na vida dos pacientes. “Além das limitações físicas, o lipedema pode provocar dor crônica, redução da mobilidade, dificuldade para realizar atividades do dia a dia e maior risco de alterações articulares, principalmente nos joelhos e quadris. O impacto emocional também é significativo, podendo levar à baixa autoestima, ansiedade e depressão. Por isso, o diagnóstico precoce e o acompanhamento adequado são fundamentais para minimizar complicações e proporcionar melhor qualidade de vida aos pacientes.”

Do outro lado, a vivência da paciente Alana Travassos, de 27 anos, ajuda a ilustrar como o diagnóstico costuma ser demorado e cercado de dúvidas. Ela conta que percebeu diferenças no corpo ainda na adolescência. “Meu corpo se desenvolveu muito cedo, então sempre tive mais curvas do que as meninas da minha idade. O estranhamento com minhas pernas começou na adolescência”, relata.

Na época, ela acreditava que se tratava apenas de celulite. “Eu me comparava com outras meninas e via muitas marcas que achava anormais para o meu peso. Como não conhecia o lipedema, passei muitos anos acreditando que era apenas celulite”, diz.

Lipedema: conheça os sintomas e tratamento da doença que afeta as mulheres
📷 |Divulgação

A falta de diagnóstico acompanhou boa parte da sua vida adulta. “Por muitos anos eu não sabia que tinha lipedema. Mesmo treinando na academia, não conseguia melhorar como esperava, e isso me fazia achar que havia algo errado comigo”, conta. Ela também relata ter passado por consultas médicas sem respostas conclusivas: “Mesmo falando das minhas queixas, nunca recebi diagnóstico de lipedema.”

A descoberta veio apenas após contato com relatos de outras mulheres nas redes sociais. “Conheci a doença por meio da internet, quando mais mulheres começaram a compartilhar suas experiências. Foi então que procurei o diagnóstico”, afirma.

O impacto, segundo ela, foi mais emocional do que físico. “No meu caso, o lipedema não impactou significativamente minha qualidade de vida, porque consigo treinar normalmente, desde que evite exercícios de muito impacto. Já na autoestima, o impacto foi grande”, diz. Em determinados períodos, chegou a evitar roupas mais curtas por vergonha do próprio corpo.

Hoje, Alana relata mudanças na rotina. “Faço automassagens diariamente e deixei de consumir café, refrigerantes e outros produtos inflamatórios. No início foi difícil, mas percebi melhora nos sintomas”, explica.

Para ela, o principal problema ainda é a falta de informação. “Quanto mais mulheres conhecerem o lipedema e conseguirem diagnóstico precoce, maiores são as chances de tratamento adequado e vida mais leve”, reforça.

Entre a explicação médica e o relato de quem convive com a condição, o lipedema segue como uma doença que ainda enfrenta desconhecimento, diagnósticos tardios e impactos que vão além do físico, atingindo diretamente a autoestima e a qualidade de vida das pacientes.

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