NOITE HISTÓRICA

É oficial! Brega agora é patrimônio cultural do Pará

Governador Helder Barbalho assinou lei que torna Brega patrimônio cultural do Pará em meio a show

quarta-feira, 15/09/2021, 20:38 - Atualizado em 15/09/2021, 22:29 - Autor: Com informações de Laís Azevedo/Diário do Pará


Ritmo tem várias vertentes que vão das marcantes ao recnomelody
Ritmo tem várias vertentes que vão das marcantes ao recnomelody | Tarso Sarraf/Arquivo/Diário do Pará

O Governo do Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), realizou na noite desta quarta-feira (15) a assinatura da lei que declara o “Ritmo Brega” integrante do Patrimônio Cultural e Imaterial do Estado do Pará.

O ato ocorreu no Teatro Estação Gasômetro e contou com a presença do governador Helder Barbalho e da secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal.

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A cerimônia foi seguida de um grande show com vários artistas convidados.

O projeto de lei que declara o ritmo Brega como patrimônio paraense foi aprovado dia 24 de agosto, durante sessão ordinária da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa).

Todos os deputados estaduais presentes votaram a favor da lei de número 199/2021.

A autora do projeto, a deputada Ana Cunha, destacou que o berço do brega é o Pará. “A gente conhece vários cantores, compositores e grupos artísticos que já vêm, há muito tempo, trabalhando na cena”. 

A sessão foi acompanhada por representantes da música e da dança, que ajudaram o brega a ampliar o seu alcance ao longo de meio século de existência. Fruto da mistura de ritmos caribenhos e batidas latinas, o estilo ganhou força e se difundiu com o passar das gerações, formando hoje uma grande cadeia produtiva para a Cultura do estado. “O fato de se tornar patrimônio também valoriza e reconhece o trabalho de outros profissionais, como dançarinos, também militantes deste segmento artístico”, acrescentou Ana Cunha. 

“O brega é uma espécie de vírus que é mutante, se vier um calipso pega e entra nele, o arrocha chega aqui e você tem o brega arrocha, ele não se rende, ele se adapta aos tempos”, acrescenta o coreógrafo Marcelo Thiganá, grande pesquisador da dança brega e suas muitas adaptações ao longo das décadas. Ele também celebra o reconhecimento do ritmo como uma abertura para todos os profissionais envolvidos nessa história. “Esse momento é muito importante para nós”, pontua.

AGUARDADO 

A emoção de ver o brega tornando-se patrimônio é de fato uma comemoração que tem abarcado artistas e público bregueiro. “A música brega já vem desde as décadas de 1960/1970, com Luís Guilherme, Teddy Max, Juca Medalha, foram precursores. São gerações e gerações de pai para filho, filho pra neto. Lembro que cresci ouvindo essas músicas, lembro do meu pai dançando”, emociona-se o cantor Nelsinho Rodrigues.

Uma das representantes femininas desta cena, Rosemarie considera a lei, que será assinada hoje pelo governador Helder Barbalho, como de extrema importância. “Ela tinha que acontecer algum dia. O brega ainda é 99,9% da música consumida por todo o estado e está aí desde a década de 1960. Estamos nos sentindo agraciados por essa lei e felizes pelo convite para essa comemoração histórica”, disse a cantora, referindo-se ao evento organizado pela Secult e Governo do Estado, no Teatro Gasômetro.

A programação contou com apresentações de Alberto Moreno, Allan Rodrigo, Sonel Farias, Nilk Oliveira, Carlos da Luz, Waldo César, Lima Neto, Tarcísio França, Rony Nascimento, Gerson Thirrê e do projeto “Os Reis do Brega”, com participação especial da cantora Rosemarie (Banda Warilou). Os espetáculos homenagearam os artistas já falecidos Frankito Lopes, Rubens Mota, Teddy Max e o Maestro Didi.

Nilk é autor de músicas como “Anjo do Prazer”, gravada pela Banda Calypso, “O Pirangueiro”, gravada por Edilson Morenno e Wanderley Andrade e “Voando pro Pará”, hino da carreira solo de Joelma. “Vejo com muita alegria ter o reconhecimento como patrimônio, pelo trabalho que todos fazemos, são centenas de artistas e bandas que têm ajudado a levar o brega para todo o país”, diz. 

“O brega já chegou ao internacional, a gente já fez todo esse percurso e merecia esse reconhecimento”, acrescenta Nelsinho Rodrigues. 

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