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ATÉ QUANDO?

Futebol paraense segue refém da violência de "torcedores"

Jogadores de Leão e Papão estão sofrendo com as ameaças desenfreadas de suas "torcidas". É preciso mais que campanhas para coibir esse tipo de comportamento. Imprensa, jogadores, diretorias e o poder público precisam acordar antes que tenhamos que noticiar tragédias.

sexta-feira, 16/07/2021, 09:14 - Atualizado em 16/07/2021, 09:46 - Autor: Kaio Rodrigues


Leão e Papão estão tendo que lidar com constantes ameaças de pessoas violentas que se autodenominam "torcedores".
Leão e Papão estão tendo que lidar com constantes ameaças de pessoas violentas que se autodenominam "torcedores". | (Foto: DOL)

Passou a ser frequente a imprensa noticiar protestos e hostilidades aos profissionais do mundo da bola, por conta dos inúmeros casos recorrentes recentes de ameaças ou agressões, seja através de grupos que entram nos treinos para cobrar jogadores, comissão técnica e diretores, em aeroportos ou, simplesmente, através de cantos de guerras nas arquibancadas - quando podiam estar lotadas.

Com o avanço tecnológico, as cobranças ficaram mais "fáceis" de serem realizadas. Os jogadores são sempre os principais alvos e, muitas das vezes, "torcedores" passam dos limites e chegam às extremidades de ameaçar atletas e famílias. No fim, o comportamento abusivo de marginais é justificado como paixão e tudo acaba se naturalizando.

O Pará, infelizmente, não é uma exceção e em 2021 parece que as coisas estão desandando cada vez mais. O caso mais recente aconteceu na última quarta-feira (14), após o jogo entre Remo e Brusque, pela Série B do Brasileiro, quando Rafael Jansen, zagueiro azulino que marcou um gol contra na partida, recebeu mensagens agressivas no Instagram, que ameaçavam a integridade da sua família.

E não é algo isolado. Ainda pelo lado azulino, o atacante Edson Cariús pediu para ter o contrato rescindido, após novas ameaças contra os familiares. Antes do término da má fase azulina na Segundona, membros de torcidas organizadas invadiram o treinamento do elenco para exigir resultados melhores. Alguém invade o trabalho dessas pessoas para cobrar algo? Ah, é paixão. Então eles podem, né?! Lamentável as diretorias permitirem tal acesso.

Atravessando a Almirante Barroso, na Curuzu, os jogadores do Paysandu também viveram dias de ameaças. Apesar da vice-liderança na Série C do Brasileiro, o desempenho da equipe não vem agradando os torcedores, principalmente em jogos dentro de casa. Na viagem da delegação para o Ceará, onde enfrentaria o Floresta, jogadores sofreram agressões no saguão do Aeroporto Internacional de Belém.

Antes disso, a principal torcida organizada do Lobo fez uma postagem nas suas mídias sociais em tom de ameaça, onde criou o "Disk Balada", para reprimir atletas que fossem encontrados em festas pela cidade. A ação aconteceu após o goleiro Paulo Ricardo e o ex-bicolor Ari Moura terem fotos divulgadas em uma balada noturna.

Os jogadores remistas também foram oprimidos no aeroporto, antes do embarque para Curitiba, onde iriam encarar o Coxa-Branca. Na ocasião, membros da Piratas Azulinos bateram boca com alguns jogadores, entre eles o meia Felipe Gedoz. No fim, Remo e Paysandu fazem campanhas em suas redes sociais para coibir tais atos de violência.

A recorrência de práticas de violência sintetiza práticas que vão além das 4 linhas. Apesar dos clubes falarem que os departamentos jurídicos, juntamente com as autoridades policiais, investigam os casos, nada acontece e os atos se repetem.

As classes que envolvem o meio do futebol, como os cartolas, atletas, comissões técnicas e nós, jornalistas esportivos, parecem acomodados e inertes com tamanhas barbáries no cotidiano de trabalho em que vivemos. Vemos sempre como "manifestações" e isso precisa ser mudado. Em uma sociedade séria, uma investigação da polícia deve ocorrer e mostrar resultados, para começar a proteger todos.

Apesar da justiça ser a forma mais viável para punir os infratores, atletas devem se posicionar também. O futebol não pode se tornar uma disputa por resultados esportivos para que a integridade física seja garantida. É preciso união dos jogadores, seja por apoio a colegas de profissão que foram agredidos, seja por, quem sabe, uma paralisação das atividades até que as entidades responsáveis pelos eventos, junto com os clubes e a segurança pública, ponham um fim nessa situação toda.

Todos nós estamos prestes a noticiar uma tragédia no futebol brasileiro e, do jeito que andam as coisas, no paraense. Vivemos em um ambiente intolerante, onde parecem não existir regras. Futebol está longe de ser da propagação do ódio. Futebol é alegria, amor, emoção, paixão, respeito, solidariedade e diversão. Mais respeito a todos!

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