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PARÁ EM TÓQUIO

Rogério Moraes: de Abaetetuba a Tóquio 

O atleta irá realizar um sonho de infância disputando sua primeira olimpíada levantando a bandeira do Pará.

quarta-feira, 21/07/2021, 13:12 - Atualizado em 22/07/2021, 13:08 - Autor: Lucas Contente


O pivô Rogério Moraes é o único representante do Pará nas olimpíadas de Tóquio.
O pivô Rogério Moraes é o único representante do Pará nas olimpíadas de Tóquio. | Reprodução Web

Faltando dois dias para o início oficial das Olimpíadas de Tóquio, no Japão, o povo paraense, em especial da cidade de Abaetetuba, tem todos os motivos para sentir orgulho. Nesta edição, um único atleta vai representar o estado na frente de todo o planeta nos jogos deste ano.

Ele se chama Rogério Moraes, atleta de Handebol. Natural do município de Abaetetuba, Rogério começou a praticar o esporte ainda muito cedo, aos 12 anos, nas aulas de educação física da escola em que estudava. A ideia do atleta não era seguir carreira, já que, para ele, o esporte era apenas um passatempo. No entanto, com o passar dos anos, a relação entre Rogério e o Handebol foi ficando mais séria. 

 

Rogério em jogo pela seleção brasileira de Handebol.
Rogério em jogo pela seleção brasileira de Handebol. | Reprodução/Instagram
 

Aos 15 anos de idade, o abaetetubense já estava disputando competições estaduais e conhecendo outras cidades. Em entrevista exclusiva para o DOL, o paraense contou um pouco de sua trajetória no esporte até chegar à maior realização na vida de um atleta: disputar uma olimpíada.

“Conheci o handebol na escola, nas aula de educação física com 12 anos, e ali foi quando comecei a praticar, mais só como hobbie, não pensava em ser profissional nem nada, mas as coisas foram acontecendo, e com 15 anos, eu já estava disputando competições na minha cidade em um clube de handebol amador. Fui gostando ainda mais do esporte porque , além de gostar de jogar, ele proporcionou conhecer outras cidades, então fui seguindo assim o meu caminho no handebol”, relembra o jogador.

Hoje o atleta disputa a EHF Champions League, pelo Telekom Veszprém, da Hungria.

 

Rogério na Groelândia.
Rogério na Groelândia. | Reprodução/Instagram
 

REPRESENTATIVIDADE

Prestes a disputar sua primeira olimpíada, o desportista não escondeu a ansiedade e a felicidade em estar representado o Pará e o Brasil em Tóquio. Segundo ele, participar de uma olimpíada sempre foi seu grande sonho, e o processo para essa conquista foi árduo, de muito trabalho e conquistas diárias.

“Estou muito feliz com a minha primeira olimpíada, sonhava com isso desde que comecei a ver o handebol com um olhar mais profissional. Consegui, treinei e me preparei bastante para isso e hoje estou aqui. Mas isso não significa que não tenho que trabalhar ainda mais para representar bem o nosso país pois tem muita coisa envolvida, muita gente por trás que se esforçou para que estivéssemos aqui hoje. Estou muito feliz por estar representando a minha região, meu estado, minha cidade é sempre uma honra para mim estar levando o nome do Pará e de Abaetetuba para o mundo.”

COMO LIDAR COM A PRESSÃO

A pressão de estar disputando a primeira olimpíada , para Rogério,  está servindo como motivação para a obtenção das metas traçadas pela equipe de Handebol do Brasil.

“Pressão tem como em qualquer lugar e qualquer atleta profissional que quer bons resultados e fazer seu melhor desempenho em qualquer competição sempre haverá essa pressão, mas acredito que é normal, e serve de motivação e um gás extra para que a gente possa estar focado e conseguir os melhores resultados possíveis.”

INCENTIVO AO ESPORTE

O incentivo ao esporte se torna primordial para que, cada vez mais histórias como a de Rogério, Ian e muitos outros possa se tornar realidade. Para ele, não só o estado, mas a região norte precisa investir mais em modalidades olímpicas e na estruturação para sua prática

“Acho que a região norte em geral precisa investir um pouco mais em centros de treinamento, tanto com melhorias quanto com construções para várias modalidades com todos os equipamentos possíveis para que os atletas, desde a base até o adulto, possam estar utilizando e tenham esse acompanhamento para chegar quem sabe chegar a disputar competições profissionais e representar o país”, comenta.

O esporte há muito tempo é uma ferramenta de ascensão social e integração, com a falta de estrutura para a disputa de muitas modalidades, muitos atletas desistem do sonho por terem de abandonar seu estado natal, seja por não ter condições financeiras, ou simplesmente por não querer sair de perto de da familia.

Para o paraense, essa estrutura é necessária para que, atletas do estado, um dia possam disputar, assim como ele, uma edição de jogos olímpicos. 

“É muito difícil a região norte ter o destaque devido a dificuldade que é para essa pessoa primeiro ter que brigar para conseguir se tornar atleta na região e depois tentar sair para um polo esportivo, que normalmente é no sul-sudeste. Ficar muito distante dos familiares acaba fazendo com que o próprio atleta desista. Acredito que, se esse o jovem tivesse toda essa estrutura em seu estado e pudesse estar treinando e saindo apenas para competir, seria um grande passo para que essas pessoas estivessem hoje em uma olimpíada” 

MEDALHAS?

Em um grupo de 6, que possui 4 das principais seleções do cenário mundial do Handebol, a conquista do prêmio será muito difícil para a seleção. Para Rogério, a principal meta da equipe é passar da primeira fase, algo inédito para o Brasil em olimpíadas.

 

Grupo do Brasil nos jogos olímpicos de Tóquio.
Grupo do Brasil nos jogos olímpicos de Tóquio. | Olimpíada Todo Dia
 

“Hoje o nosso foco é primeiro classificar, pois o Brasil nunca conseguiu se classificar para as quartas de finais das olimpíadas. Acredito que não é impossível se a gente se esforçar e conseguir jogar concentrado. Se cada um fizer seu melhor dentro de quadra, teremos chances de estar brigando por isso. Após essa primeira meta, podemos ver o que podemos brigar e conquistar”, analisa Moraes.

O atleta, no entanto, não descarta 100% a chance de medalha e explica que apesar de ter os pés no chão, em todos os jogos entrará em quadra para ganhar.

“Sendo bem realista, nossas chances de medalhas não é das maiores, nós estamos em um grupo bem difícil, onde são 6 equipes e se classificam 4, sendo que no grupo contém as 4 melhores seleções européias. No entanto, isso não significa nada, pois sempre entramos em quadra tendo em mente que temos qualidade e podemos vencer e bater de frente com qualquer equipe, independe se ela seja melhor ou não.”

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