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DESDOBRAMENTO

Fotógrafo baleado por PM recebe alta e fala como foi o crime

"Foi terrível e pensei mesmo que eu ia morrer por defender minha raça", disse Júnior Hoffmann, em entrevista à RBATV, nesta sexta-feira (29).

sexta-feira, 29/07/2022, 16:51 - Atualizado em 29/07/2022, 16:51 - Autor: DOL, com informações Wellington Júnior RBATV

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Fotógrafo conversou com a reportagem da RBATV.
Fotógrafo conversou com a reportagem da RBATV. | (Foto: Reprodução RBATV)

Depois de dois dias hospitalizado, o fotógrafo Êxodo Happy de Jesus Santos, conhecido profissionalmente como Júnior Hoffmann, recebeu alta, após se recuperar de um tiro que sofreu em uma discussão com um policial militar, na Cidade Nova IV,em Ananindeua, na última terça-feira (26). A dificuldade para se locomover é grande e não é para menos. O tiro de pistola .40 entrou e saiu na sua coxa direita.

Em entrevista à reportagem da RBATV, ele contou que viu a discussão entre o cabo da Polícia Militar, Paulo Fernando Fonseca da Silva, e a ex-companheira, mas que o desentendimento entre os dois aconteceu depois que o militar o ofendeu com palavras racistas.

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"Eu estava passando e vi eles discutindo. A moça que conheço só de vista pediu ajuda, mas acabei nem parando. Minutos depois, ele passou de moto ao meu lado e tentou justificar e falei que ele estava errado em agredir a mulher. Foi então que ele me ofendeu dizendo que errado era o meu cabelo com “dread” e fedorento. Foi então que eu voltei para me defender. E o PM saiu da moto, sacou a arma. Eu tentei correr e mesmo assim ele atirou. Foi quando caí", contou Hoffmann.

Segundo a vítima, durante toda a ação Paulo Fernando estava com o filho de quatro meses no colo. Dois tiros foram efetuados contra Júnior e em seguida ele teve a arma apontada para o rosto.

"Foi tudo muito rápido. O segundo tiro atingiu o carro de um vizinho e eu fiquei no chão. O policial se aproximou, olhou no meu olho e apontou a armas para minha cara. Só senti medo na hora, coloquei a mão no rosto e foi que todos gritaram para ele não atirar de novo", completou Hoffmann.

O Policial Militar se apresentou na delegacia de crimes funcionais na última quinta-feira (28) e prestou depoimento. O caso será investigado pela Polícia Civil e também pela corregedoria da Polícia Militar. O Ministério Público já tem conhecimento da situação e deve acompanhar o processo.

O cabo Paulo Fernando Fonseca da Silva foi afastado das funções externas e agora faz parte dos serviços administrativos. No corpo de Júnior Hoffmann, as marcas da queda e o entendimento de que só não foi morto porque vizinhos gritaram para que o acusado não atirasse.

"Foi terrível e pensei mesmo que eu ia morrer por defender minha raça. É triste e esse medo só aumentou ainda mais. Depois de tudo isso, eu desmaiei. Agora em casa só espero que tudo isso passe, mas que a justiça seja feita.", finalizou.

 

No corpo de Júnior Hoffmann, as marcas da violência.
No corpo de Júnior Hoffmann, as marcas da violência. | (Foto: Reprodução RBATV)
 


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