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PREVENÇÃO AO SUICÍDIO

Setembro Amarelo: como identificar sinais de que uma pessoa não está bem?

Mudanças no comportamento habitual podem indicar sofrimento psicológico e emocional; psicóloga explica como perceber os sinais e oferecer ajuda.

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Imagem ilustrativa da notícia Setembro Amarelo: como identificar sinais de que uma pessoa não está bem? camera Perceber mudanças de comportamento pode ser o primeiro passo para ajudar. Isolamento, apatia, irritabilidade e perda de interesse podem indicar que alguém não está bem emocionalmente. | Reprodução/Magnific

Nem sempre uma pessoa que está passando por um sofrimento psicológico demonstra claramente que precisa de ajuda. Em muitos casos, os sinais aparecem aos poucos e podem ser confundidos com cansaço, estresse, mau humor ou apenas uma fase difícil. No Setembro Amarelo, mês dedicado à conscientização e à prevenção ao suicídio, reconhecer essas mudanças de comportamento pode ser uma forma importante de cuidado.

Para a psicóloga Julianna Cerbino, o principal não é procurar um comportamento específico, mas perceber quando existe uma ruptura com aquilo que era habitual naquela pessoa. "Mais do que um comportamento isolado, é importante observar mudanças persistentes no padrão habitual da pessoa", explica.

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ATENÇÃO AO CONTEXTO TAMBÉM É IMPORTANTE

Mais do que um comportamento isolado, mudanças persistentes na rotina, no humor e na forma de se relacionar podem indicar que alguém não está bem emocionalmente.
📷 Mais do que um comportamento isolado, mudanças persistentes na rotina, no humor e na forma de se relacionar podem indicar que alguém não está bem emocionalmente. |Reprodução/Magnific

Segundo a especialista, entre os sinais que merecem atenção estão "isolamento, perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas, alterações importantes no humor, no sono e na alimentação, queda no rendimento, irritabilidade, apatia ou uma dificuldade maior de se relacionar".

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Julianna ressalta que o contexto é fundamental. Uma pessoa pode estar cansada ou mais irritada em determinado período sem que isso signifique necessariamente um sofrimento psicológico importante. O alerta aparece quando a mudança persiste e passa a interferir na vida cotidiana.

QUANDO A PESSOA DEIXA DE SER COMO ERA

Uma das maneiras mais simples de perceber que alguém pode estar enfrentando dificuldades emocionais é observar justamente aquilo que mudou.

A pessoa que costumava encontrar os amigos e passa a recusar todos os convites. Quem tinha prazer em praticar um esporte e abandona a atividade. Alguém comunicativo que começa a permanecer isolado ou quem sempre manteve uma rotina de estudos ou trabalho e apresenta uma queda significativa no rendimento.

"Esses sinais não devem ser ignorados, principalmente quando representam uma mudança significativa em relação ao comportamento habitual daquela pessoa", afirma Julianna.

O sofrimento também pode aparecer de formas menos associadas à tristeza. Irritabilidade, apatia e dificuldade de relacionamento podem ser manifestações importantes. Por isso, reduzir o olhar a alguém que chora constantemente pode fazer com que alguns sinais passem despercebidos.

FRASES QUE MERECEM ATENÇÃO

Outro ponto destacado pela psicóloga envolve a maneira como a pessoa passa a falar sobre a própria vida. "Também merece atenção quando a pessoa passa a falar com frequência sobre desesperança/desmotivação, sentir-se um peso ou sobre não encontrar sentido nas coisas", alerta.

Essas manifestações precisam ser levadas a sério, principalmente quando aparecem junto com outras mudanças de comportamento.

O Ministério da Saúde também orienta que sinais de alerta não sejam analisados isoladamente. A presença de vários deles ao mesmo tempo pode indicar que a pessoa precisa de atenção e ajuda.

COMO SE APROXIMAR SEM PIORAR A SITUAÇÃO

Escutar, acolher e mostrar que a pessoa não está sozinha pode ser o primeiro passo para ajudar.
📷 Escutar, acolher e mostrar que a pessoa não está sozinha pode ser o primeiro passo para ajudar. |Reprodução/Magnific

Perceber que alguém não está bem é apenas o primeiro passo. Para quem está próximo, surge outra dúvida: o que dizer? De acordo com Julianna, a melhor abordagem começa pela escuta. "O primeiro passo é se aproximar com escuta e acolhimento, e não com respostas prontas", orienta.

Isso significa evitar transformar a conversa imediatamente em uma tentativa de solucionar o problema. Antes de aconselhar, é importante abrir espaço para que a pessoa consiga falar.

Em vez de frases como "isso vai passar" ou "você precisa ser forte", a psicóloga sugere uma abordagem mais simples e acolhedora: "Percebi que você não está bem! Quer conversar? Estou aqui para te ouvir!"

A diferença está menos nas palavras perfeitas e mais na disposição de ouvir sem julgamento.

NÃO TENTE RESOLVER TUDO EM UMA CONVERSA

Quando alguém revela sofrimento, é natural que familiares e amigos tenham vontade de encontrar rapidamente uma solução. Mas, segundo Julianna, nem sempre esse é o melhor caminho. "É importante permitir que a pessoa fale sem tentar imediatamente resolver o problema, que seja mostrado o acolhimento da dor", afirma.

Ouvir não significa concordar com tudo nem ter respostas para todas as questões. Significa demonstrar que aquele sofrimento está sendo levado a sério. Também é importante evitar comparações, cobranças ou frases que diminuam a experiência da pessoa.

Dizer que alguém "tem tudo para ser feliz", que existem pessoas "com problemas maiores" ou que é preciso simplesmente "ter força" pode fechar a porta para uma conversa que acabou de começar.

INCENTIVAR AJUDA PROFISSIONAL TAMBÉM É CUIDAR

Buscar ajuda profissional é um passo importante diante de um sofrimento emocional persistente. Psicólogos e psiquiatras podem oferecer acolhimento, orientação e acompanhamento adequado para cada situação.
📷 Buscar ajuda profissional é um passo importante diante de um sofrimento emocional persistente. Psicólogos e psiquiatras podem oferecer acolhimento, orientação e acompanhamento adequado para cada situação. |Reprodução/Magnific

O acolhimento de familiares e amigos é importante, mas não substitui o acompanhamento de profissionais de saúde mental quando existe sofrimento significativo.

Nesse momento, a pessoa próxima pode ajudar inclusive de maneira prática: incentivar a procura por um psicólogo ou psiquiatra, acompanhar o familiar até um serviço de saúde ou ajudar a encontrar atendimento na rede pública.

"Diante de um sofrimento significativo, também é fundamental incentivar a busca por ajuda profissional”, destaca Julianna.

ESTAR PRESENTE PODE FAZER A DIFERENÇA

No Setembro Amarelo, a prevenção também passa pela capacidade de olhar para quem está ao redor e perceber mudanças que muitas vezes são naturalizadas.

Uma pessoa não precisa necessariamente dizer "estou sofrendo" para que alguém se disponha a perguntar como ela está. "Oferecer ajuda não significa ter todas as respostas, mas mostrar à pessoa que ela não precisa enfrentar aquele sofrimento sozinha", resume Julianna.

É justamente aí que a atenção de familiares e amigos pode se transformar em cuidado: perceber, perguntar, ouvir e, quando necessário, ajudar a pessoa a chegar até quem pode oferecer atendimento profissional.

SERVIÇO

O que fazer em uma situação de crise?

Se uma pessoa demonstra risco imediato de se machucar ou de tirar a própria vida, a orientação é não deixá-la sozinha e buscar ajuda profissional imediatamente. O Ministério da Saúde recomenda:

  • Fique com a pessoa: se houver perigo imediato, procure permanecer ao lado dela até que o atendimento seja acionado.
  • Escute sem julgamento: permita que ela fale e demonstre que o sofrimento está sendo levado a sério.
  • Incentive ajuda profissional: ofereça-se para acompanhá-la a um serviço de saúde.
  • Em uma emergência, acione o SAMU: o 192 é gratuito e funciona 24 horas. O serviço atende situações de urgência, incluindo tentativas de suicídio.
  • Procure atendimento: CAPS, Unidades Básicas de Saúde, UPA 24 horas, pronto-socorro e hospitais são opções da rede de atendimento.
  • CVV – 188: o Centro de Valorização da Vida oferece apoio emocional e prevenção do suicídio, gratuitamente, pelo telefone 188, 24 horas por dia.
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